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“MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM TEM JUÍZO”= .

Na visão= de triunfo da mudança, isso não tem mais vez!<= /b>

 

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Por Renilda Ouro

 

Publicado na Revista Segmento Empresarial, em Março de  2006

 

Nada tão certo, e tão inegável: a gestão organizacio= nal é realizada pelo contínuo de mudanças que se fazem necessárias, no cotidiano do dia-a-dia, ou de período em período, até as planejadas a médio e longo prazos. Gerenciar essas mudanças é atribuir aos seus atores a capacid= ade para lidar com uma combinação de esforços que perpassa= m os sistemas técnico, político e psicosocial das organizações, com grande ênfase neste último. Qualquer mudança cria uma desestabilização, e traz ameaças, desde que obrigatoriamente velhas referências s&atild= e;o abandonadas, para dar lugar ao novo.

 

Um projeto de mudança significa a que= bra de paradigmas, por mais desgaste que hoje esteja embutido na palavra. &Eacu= te; sempre uma vivência psicológica que se caracteriza por um “fim” de uma dada situação, por uma transição, e uma situação desconhecida, nova, para a qual não se tem  referenciais. Apesar de à palavra  mudança poder = ser atribuído o caráter de “reinício”, esse conceito ainda não desloca, com facilidade, as tensões advindas do sentiment= o de abandono, das perdas e inseguranças.

 

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O fato é que as mudanças carre= gam em si alguns estigmas que as fazem ser vistas, pela maioria das pessoas, co= mo meramente desestruturantes e nunca bem vindas, pois quando assim o sã= ;o, elas dão lugar a termos como “sorte”, “dádi= va merecida”, etc., rotulando tudo aquilo que chega como ganho, através de mudanças, restando ao termo o estigma da perda. Processos racionais? Pode ser, por mais que tenhamos dificuldades em compreender, o que se torna mais fácil quando dentre as consequências de mudanças sobressaem-se:  possibilidades= de desemprego; inadequação a novas competências; dissolução de equipes; perdas, financeiras, de poder, de stat= us ou de autonomia; substituições de métodos de trabalho conhecidos; etc. Todas estas referências, dentre outras, trazem o desconforto psicológico, e fazem das mudanças algo a ser combatido, através de resistências. Falamos aqui de todos os níveis da organização!

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Não é difícil de se concluir pela necessidade de processos de mudanças bem conduzidos, d= e forma que se possa utilizar todo o conhecimento já existente sobre como= o ambiente se comporta, e ainda minimizar gastos, energia e tempo, num projeto que se assim não for, é altamente desgastante.

 

A FASE DO PROJETO EM QUE A “PREPARAÇÃO PARA MUDAR” DEVE SER FEITA

 

Diríamos que essa fase deve anteceder ao próprio planejamento do projeto em s= i, constituindo-se numa etapa anterior, pois até mesmo a qualidade das informações a serem obtidas para o detalhamento do projeto dependerá dessa preparação inicial. Para tal, algumas premissas devem ser observadas, de forma a possibilitar a criaç&atil= de;o de uma plataforma segura para o processo da mudança e a transição da empresa de um estágio a outro. Deve-se dar tratamento específico a essa fase de preparação, sempr= e em consonância como o que sugerem a natureza do projeto e a cultura da empresa. É nessa fase que se começa a criar o ambiente favorável à transição a ser feita. Algumas dicas podem ajudar nesse processo:

 

A. É PRECISO DESCONSTRUIR PARA DAR ESPAÇO AO NOVO.

Isso não quer dizer que o que foi feito pela empresa at&eacut= e; o momento seja invalidado, mas sim que muitos “paradigmas”, dentr= e os quais alguns valores, crenças e até ortodoxias sobre “c= omo as coisas devem funcionar”, têm que ser deixados para trá= ;s. Se não se conseguir abandonar alguns modelos, principalmente mentais, pois são eles que geram o apego ao passado, o período de transição se estenderá mais do que o esperado, gerando= um clima de muito caos; e isso causará um grande desgaste, além = dos custos financeiros e de tempo envolvidos.  

 

B. É PRECISO REDOBRAR A ATENÇÃO NA ÉPOCA= DE TRANSIÇÃO

É nela que, mesmo se tendo conseguido abandonar o passado, as recaídas ocorrem. Uma estratégia para gerenciar esse período é a criação de um ambiente de aprendiza= gem coletiva, onde espaços são criados para trocas de experiências, apoio e práticas a serem adotadas, visando a instituição do novo. Vale a pena salientar que os problemas serão ainda os mesmos, corroborados por outros novos gerados na fase= de transição. Tal fato, por si só, justifica a necessidad= e de apoio mútuo, que se não ocorrer, torna o ambiente suscetível ao desânimo ou desmotivação. A boa notícia é que, ao mesmo tempo, é um período ond= e a criatividade emerge com muita facilidade e deve ser aproveitada em todo o s= eu potencial, tanto para a busca de novas soluções como para a introdução de  n= ovos “paradigmas” de gestão.

 

C. A TRANSIÇÃO É UM CAPÍTULO QUE PODE MA= RCAR UMA ESTRÉIA TRIUNFANTE

Não é só de perdas e administração delas que uma transição deve “viver”. Ela pode ser dotada de muita energia positiva, que marque o seu caráter de renovação, de possibilidades antes não existentes. Conseguir criar um ambiente motivador, que permita deixar lamentos para trás, já é mais do que meio caminho nesse desafio que é preparar o ambiente da empresa para as mudanças. Investir na preparação dos grupos a serem afetados com as mudanças= e da equipe gestora do projeto é fator crítico para o sucesso. =

D. NÃO ADIANTA PENSAR QUE “MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM = TEM JUÍZO”=

Muitas organizações não valorizam os investimen= tos na “pré-mudança” e pagam um preço muito al= to por isso. Por mais que seja conhecimento já consolidado, muitos gestores  classificam a preparação como dispensável, ou despesa de cará= ter inócuo.  Administrar as resistências às mudanças oriundas desse descaso é muito mais dispendioso. A premissa tradicional que ainda muitas organizações admitem na sua cultura, como a de “manda q= uem pode e obedece quem tem juízo”, não funciona mais, e se= ela se perpetua, irá gerar, como acontece em muitas organizações, o famoso jogo do “faz de conta”, que tanto contamina o ambiente de realizações, tornando-o um vácuo de significados para todos aqueles que deveriam contribuir.

 

E. AS PESSOAS TÊM  VISÕES DO MU= NDO, RITMO E VELOCIDADES DIFERENTES

Inclusive variando na própria compreensão do que &eacu= te; comunicado; umas levam mais tempo que outras para se decidirem com relação à sua posição diante das mudanças. Esse fator deve ser considerado, pois se assim não<= span style=3D'mso-spacerun:yes'>  for, corre-se o risco de admitir c= omo resistência o processo analítico de alguns colaboradores.  É preciso que os gestores da mudança aprendam a perceber fatores que têm influência n= as estratégias a serem adotadas, pois somente assim estarão definindo um processo de comunicação eficaz e que realmente contribua para criar mais inteligência nos processos e negócio= s da organização.

 

F. A MUDANÇA FAZ EMERGIR O EMOCIONAL ANTES E MAIS DO QUE O RACIONAL

Um outro estigma do mu= ndo das organizações é que “emoções devem ficar do lado de fora”. Isso não é real: as pessoas são tão emocionais quanto racionais: é a natureza das questões com as quais lidam que faz com que um ou outro lado prevaleça, sendo também verdade que a maioria dos seres human= os têm o lado emocional muito mais acentuado do que a sociedade permite mostrar, independentemente da cultura a que pertençam (dentre outros exemplos, as guerras geradas pela religião estão aí pa= ra evidenciar isso)! Estar preparado para lidar com esse aspecto é outro fator de sucesso na fase de transição, inclusive porque &eacu= te; a medida da emoção que leva significado ao trabalho das pesso= as, e pode transformar novas maneiras de agir e pensar em valores, adotando nov= as crenças, alargando visões, flexibilizando condutas e com isso consolidando as mudanças, que no princípio e ao final de tudo, começam dentro de cada um de nós!

 

 

Texto baseado em capítulo do livro SOLUÇÕES GENÉRICAS PARA PROJETOS – Mudança Organizacional, de Renilda Ouro. Editora Qualitymark<= /p>

 

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