MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01C796F8.C877D1E0" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo da Web. Se você estiver lendo esta mensagem, o seu navegador ou editor não oferecem suporte a Arquivos da Web. Baixe um navegador que ofereça suporte a Arquivos da Web, como o Microsoft Internet Explorer. ------=_NextPart_01C796F8.C877D1E0 Content-Location: file:///C:/D909664F/Oultimovoo.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="us-ascii"
O
ÚLTIMO VÔO. UMA QUESTÃO DE GESTÃO?
Do perv=
erso
ao promissor mundo do invisível
- uma
questão de valores humanos -
O que é preciso
avaliar, além dos motivos técnicos, na tragédia do
vôo 1907?
<= o:p>
Por Ren=
ilda
Ouro
Publica=
do na
Revista Focus News
O
último vôo: uma questão de gestão? Há mui=
to
se tem dito que “tudo o que você vê é, se assim=
lhe
parece”, e assim tomamos nossas decisões. A questão=
com
a qual inicio este texto é: custa perguntar, ao invés =
de
deixar as nossas premissas (muitas vezes erradas) prevalecerem?
“=
Planeje
seu vôo e voe seu plano”. “O controle de vôos teve =
a "presunção"
de que o jatinho Legacy cumpria seu plano de vôo e manteve suas
operações sem inferir sobre a possibilidade de colisão
entre as duas aeronaves”, “Nos casos em que operadores de v&oci=
rc;o
chamam uma aeronave e esta não responde, há alternativas de
segurança, como informar ao avião que vai no sentido
contrário para desviar o curso em função da possibilid=
ade
de choque”. “Em regiões onde as aerovias são de
“mão dupla” a regra é: quem vai em
direção ao Norte voa em altura par; quem vai em
direção ao sul, voa em altura ímpar”. “A r=
egra
internacional: se a comunicação for impossível, o pilo=
to
deve acionar um código do transponder que avisa sobre a falha de
comunicação, seguindo à risca o que ficou definido no
plano de vôo”. Esses são registros divulgados na imprensa
à época do acidente e parece que fazem parte de um conjunto de
regras a serem observadas, as quais têm por objetivo evitar
tragédias irreversíveis, como a que ocorreu com o Boeing da G=
ol.
Muito e=
mbora
a falta de comunicação fosse evidente, os “scripts̶=
1;
que deveriam ser seguidos não o foram, da mesma forma que medidas /
decisões criativas adequadas à situação
também não foram tomadas. Há que se considerar que =
no
mundo do que não é evidente residem possibilidades de altos
riscos, da mesma forma como possibilidades de altos ganhos. O pulo do gato
está em avançarmos na nossa capacidade de gestão, para
além dos horizontes limitados do que é visível.
É
ainda relevante considerar que muitas empresas e negócios têm
fronteiras organizacionais que transcendem os limites das suas estruturas
próprias, e nesses casos, os cuidados e limites perceptivos precisam ser ainda muito mais
flexíveis, demandando de seus recursos humanos alta capacidade de
avaliação de situações “fora do
controle”.
Que sur=
presas
guardam o que se poderia chamar de mundo do invisível? Podemos denom=
inar
“custos invisíveis” aqueles fatores que se não
observados podem ser caracterizados como prejuízos (futuros) ou cust=
os
de oportunidades não aproveitadas. Assim podemos denominar todos aqu=
eles
aspectos, atitudes e comportamentos que bloqueiam a realização
dos resultados de uma empresa no seu nível potencial, comprometendo a
qualidade dos processos internos o atendimento ao cliente e os resultados
financeiros, transformando-se em prejuízos que por
definição são irreversíveis.
Sob o p=
onto
de vista dos clientes, consumidores, sociedade, do que estaríamos
falando? De situações que, além do prejuízo, ch=
egam
a impactar valores básicos que devem ser preservados, como a qualida=
de
de serviços e produtos, por vezes com impactos na saúde,
educação, e em casos extremos, à própria vida.<=
span
style=3D'mso-spacerun:yes'> Que chances temos de administrar o
“possível inesperado”, ou o “possível
indesejado”? Seriam também essas duas boas
definições?
Traduzi=
ndo-se
para a prática do dia-a-dia e mantendo como referência a recen=
te
colisão das aeronaves, que situações poderiam ser
apontadas como reflexos desses tais “custos invisíveis”?=
Eis
algumas, a partir das quais cada leitor tirará suas próprias
conclusões.
<=
span
style=3D'mso-list:Ignore'>·
CUSTO DA COMUNICAÇÃO SOBRE PREMISSAS FALSAS: &=
eacute;
bastante comum nos depararmos com decisões tomadas sobre bases falsa=
s.
Esse fato se dá principalmente quando admitimos que “o
outro” tem a mesma informação que nós ou que o
que é óbvio para nós é óbvio para o outr=
o;
Porém, na maioria das vezes, não existe esse ponto comum e
decidimos com base na nossa única visão, ou melhor,
percepção, sem avaliação de seus impactos.
<=
span
style=3D'mso-list:Ignore'>·
CUSTO DO DESCUMPRIMENTO DAS REGAS: parece esquecido hoje em =
dia
o conceito de que uma regra existe para dar liberdade de ação
naquilo que não está sujeito à regra. Parece de
difícil compreensão, mas significa: “se você segu=
ir
as regras estará muito mais seguro do que se quebrá-las”=
;,
pois elas são estabelecidas para “minimizar riscos”, sej=
am
eles relativos à segurança física, financeira, process=
ual,
etc. O estabelecimento de regras que não podem ser quebradas é
também uma forma de liberdade para garantir “tempo e
espaço” para decisões que não estão sujei=
tas
a elas, pela sua natureza mais imprevisível.
· CUSTO DA
INVALIDAÇÃO DO PLANEJADO: descartado enquanto fonte de
direção e de apoio à decisão, o planejamento pa=
ssa
a funcionar não como um instrumento de ajuda, mas de minimizaç=
;ão
de riscos. Se existe a expectativa institucionalizada de que todos os
envolvidos numa mesma operação conhecem os passos de um refer=
ido
processo e devem tê-lo como referencial, é também um gr=
ande
risco o desvio de rotas, feito a partir de decisões unilaterais, que
não envolvem todos aqueles que dependem desse mesmo processo. A independência de
ação não tem vez no mundo interdependente das
organizações. <=
span
style=3D'mso-spacerun:yes'>
<=
span
style=3D'mso-list:Ignore'>·
CUSTO DA VAIDADE: a vaidade humana prega suas peças. =
Os
relacionamentos humanos, em grande parte, são marcados por desconfia=
nças,
ceticismos, invalidações, pois parece difícil para o s=
er
humano admitir que “o outro tem ou pode ter razão”. &Eac=
ute;
comum a consideração das situações sempre se=
gundo
a sua própria e exclusiva ótica, egoísta, etnoc&ec=
irc;ntrica,
onde a única verdade é a sua, muitas vezes fundamentada em
interesses de momento. Conseqüências à parte, prevalece
aquilo que “é julgado e decidido”, sem demais
reflexões, e por isso mesmo sem atentar para os impactos que
ações, baseadas em modelos mentais inadequados vão
gerando, dia-a-dia. É a
vaidade que faz com que “eu admita que os outros estejam errados̶=
1;.
E ela que leva a outro comportamento venenoso no mundo das
interações humanas: a arrogância.
<=
span
style=3D'mso-list:Ignore'>·
CUSTO DA ARROGÂNCIA: evidenciado pela famosa frase
“_Você sabe com quem está falando?”. Se esse &eacu=
te;
um comportamento adotado, por vezes não explicitado mas presente nas
interações humanas, sejam elas pessoais ou profissionais, os
custos são altíssimos. Julgamentos pré-fixados “=
porque
não me sujeito às determinações alheias”,=
podem gerar graves impactos: é a fala do “ego” que toma o
lugar da razão que nos permitiria decidir sobre fatos, e não
sobre emoções, e estas, com conseqüências extremam=
ente
negativas. Pode-se dizer que esse é um espaço onde o sentimen=
to
de superioridade afasta pessoas e ganha corpo a idéia da
“separação”, ou negação de tudo aqu=
ilo
que requer o coletivo.
<=
span
style=3D'mso-list:Ignore'>·
CUSTO DA NÃO-COMUNICAÇÃO: que por si
só evidencia todas as disfunções, pois é esse t=
ambém
um campo muito fértil para grandes riscos. Desta forma, as
decisões tomadas não estão sustentadas numa base comum,
não atendem a todos os envolvidos, não respeitam as
evidências, pois a ausência de comunicação n&atil=
de;o
permite o conhecimento exato das situações de momento, deixan=
do
ao acaso os riscos, da natureza que for.&n=
bsp;
Ser&aac=
ute;
que expandindo a nossa visão para a natureza além da humana
podemos tirar algumas lições? Tomo aqui uma caminhada da vida
animal, dos antílopes, por exemplo. É o líder que cond=
uz a
malhada. Esse líder é escolhido pela sua habilidade de
percepção do perigo; ele é o mais hábil para
detectar a presença de um leão, de um predador, pois estes mu=
itas
vezes atacam sorrateiramente. O líder é aquele capaz de enxer=
gar
o que é invisível a outros. O seu empenho e, por vezes luta,
demonstra o reconhecimento das conseqüências que poderiam advir =
pela
sua falta de atenção. Os animais valorizam a
precaução, ainda que o perigo não esteja aparente e nem
visível a todos. Eles se preocupam com o invisível por=
que
o entendem como real, e não como um simples acaso, cujas
conseqüências independem da sua ação.
Deixo a=
qui
essas reflexões. Que elas sejam úteis para contribuir com a g=
estão
de recursos humanos, principalmente naquilo que diz respeito à
importância da sua atuação na direção de =
minimizar
riscos que acabam levando a situações lamentáveis e
irreversíveis.
=