RELACIONAMENTOS
por José
Augusto Minarelli
Como ter
trabalho e remuneração sempre - livro, págs.47/74, 6º pilar que sustenta a
empregabilidade (capacidade de gerar trabalho, de trabalhar e de ganhar)
Negócios
dizem respeito a relacionamentos. Acesso e informações são a garantia de um diálogo
mais produtivo e de um provável negócio, e se dá somente através de pessoas. Logo, um
dos maiores patrimônios de um profissional é seu relacionamento. O relacionamento pode
parecer uma coisa fantástica, mas nós o tecemos a vida inteira, aos poucos. Desde que
nascemos eles vão se estabelecendo, vamos conhecendo pessoas, formando vínculos e
interagindo com elas.
Uma pessoa
cuidadosa registra seus relacionamentos, cultiva-os, mostra-se solidária, atenciosa e
prestativa. Assim procedendo, pode valer-se deles sempre que for necessário. Normalmente,
por não conhecermos o valor dos relacionamentos, deixamos de registrá-los. E, mesmo que
possamos dispor deles, falta-nos coragem de utilizá-los quando chegar a ocasião, isto
é, quando for necessário.
Eu costumo
chamar os relacionamentos de capital social, uma vez que são construídos na vida em
sociedade, na vida comunitária, na vida em família.
Chamo-os
de capital porque têm um valor e podem solucionar problemas.
Essa
noção de capital está associada a capital financeiro.
Ora, todo
o mundo sabe a importância que o dinheiro tem para a vida, para a solução dos
problemas.
Todos
pensam nisso, até a criança que ganha um cofrinho onde guarda as moedas ou que é
presenteada pelos avós com uma caderneta de poupança.
Desde
nossa infância, recebemos estímulos para cuidar de "nosso" dinheiro e
gastá-lo de forma correta. O esbanjamento é evitado e, não raro, punido. Mas o capital
social a que me refiro, e que muitas vezes é mais importante, é tratado de outra forma.
Acaba sendo desperdiçado, menosprezado e, um belo dia, quando é necessário, não se
sabe onde está.
O
profissional não se lembra do endereço, do telefone, sequer do nome de quem pode
ajudá-lo. Se sabe, não encontra coragem para dirigir-se à pessoa, uma vez que jamais
respondeu a qualquer convite para uma visita, mesmo social.
Quem nunca
visitou, se lembrou, telefonou de volta, não foi solidário diante de um pedido de ajuda
não pode se sentir confortável na hora de sacar esse capital social, na hora de pedir
uma informação, uma ajuda, uma orientação, um ensinamento.
O
interessante é que esse capital social é gratuito, nós o recebemos como um presente da
vida, vai sendo depositado diariamente e aumenta à medida que nos encontrarmos abertos
aos relacionamentos, à medida que nos expusermos, conversarmos, freqüentarmos, à medida
que nos interessarmos pelos outros.
Quando
adota essa atitude de valorização, de preocupação, que pode até passar por
"interesseira" - saudavelmente interesseira -, quando guarda e cuida bem de um
relacionamento, você, profissional, torna-se possuidor de um pilar importantíssimo,
principalmente durante os momentos críticos.
Estes,
geralmente, apresentam-se como oportunidades que surgem à nossa frente e que não sabemos
explorar. Essa é a hora em que o capital pode ser "sacado". Esse é o momento
em que a companhia, a orientação, as sugestões, os conselhos e as informações de
outras pessoas de nosso relacionamento vão ser decisivos.
A minha
recomendação é que o profissional registre todos os relacionamentos que estabelecer,
que crie um verdadeiro banco de dados e que pratique o seu marketing de relacionamento. O
marketing interpessoal. Há programas de computador especiais para gerenciar
relacionamentos. São fáceis de usar e custam pouco.
Todo o
mundo faz aniversário, todo o mundo tem um evento importante em sua vida, na vida de sua
família. Todo o mundo tem a necessidade de ser lembrado, contactado. Sempre que tomamos a
iniciativa de cumprimentar as pessoas, de nos lembrarmos delas, de enviar-lhes algum
presente ou até de visitá-las, estaremos tratando bem do capital social, combatendo a
inflação do esquecimento, da indiferença, do descuido, da frieza.
Em termos
profissionais, é importante que as pessoas que nós conhecemos saibam onde estamos, o que
fazemos, que acompanhem nossa evolução profissional, conheçam nossas realizações.
De nada
adianta alguém dispor de muitos amigos se não sabe o que eles estão fazendo, de nada
adianta termos grande número de amigos e conhecidos se eles não sabem o que estamos
fazendo e onde podemos ser encontrados.
Quantas
vezes encontramos pessoas que dizem: "Puxa, se eu soubesse que você fazia isso
poderia tê-lo chamado, ou poderia ter apresentado você. Veja só, há poucos dias,
pediram-me para indicar alguém exatamente com o seu perfil....." ?
Um
profissional disponível, um prestador de serviços, precisa se expor, falar de seu
trabalho. Se não fizer isso, como já dissemos no item competência, como os outros vão
descobrir a sua disponibilidade?
Em
particular, no caso de profissionais disponíveis, é oportuno que as pessoas saibam,
principalmente aquelas com quem você tinha um relacionamento profissional mais próximo,
que você perdeu o emprego ou quer trocá-lo por outro.
E eu
desaconselho qualquer atitude de desespero, típica de profissionais que, diante de uma
situação crítica, saem feito loucos pelo mercado distribuindo currículos, ou seja,
tratando de modo estabanado e jogando nas costas dos outros um problema que é só deles:
encontrar um novo emprego.
Eu sugiro
que fechem para balanço, façam um inventário de sua carreira, decidam o que querem,
atualizem o currículo e só então comecem a se comunicar com as pessoas de seu
relacionamento. Por isso, dê total preferência ao contato pessoal, direto. É mais
eficaz. Se não for possível, telefone. Por último, escreva ou mande recados.
O que
você precisa deixar claro é que deixou de trabalhar em "tal" lugar e está
disponível. Informe se está procurando emprego ou se está se estabelecendo por conta
própria. Peça conselhos, orientações, sugestões e informações , conforme sua
necessidade. Deixe seu cartão de visita com o endereço e o telefone de onde pode ser
encontrado. Mas não perca seu tempo, nem o de quem o está ouvindo, dando informações
vagas ou contatando histórias tristes.
Se deseja
um emprego, diga logo que está disponível e agradeça qualquer ajuda ou informação; se
estabeleceu um negócio próprio, descreva-o e convide a pessoa para uma visita. Se
pretende voltar, deixe isso claro, de uma maneira educada, enfatize que vai "tomar a
liberdade de visitá-lo" etc.
Esse é o
famoso trabalho de networking, uma forma de continuar conectado à sua rede de
relacionamentos.
A maioria
dos profissionais desenvolve os seus relacionamentos em função do emprego. Esses
contatos são perdidos quando a pessoa não fornece o endereço e o telefone pessoais.
Portanto, mande, de alguma forma, o seu cartão de visita com o endereço da sua
residência, por exemplo.
No caso de
demissão, informe aqueles com quem você se relaciona profissionalmente, deixe claro onde
pode ser encontrado, mantenha contato com essas pessoas, para que elas não se esqueçam
de você.
Transforme
um relacionamento de trabalho em amizade sempre que julgar necessário, pois essas
aproximações serão responsáveis por nossa sustentação profissional, dando
referências e informações a nosso respeito. Este é mais um pilar que funciona em
harmonia com os outros cinco.
Você
mantém seus relacionamentos se continua sendo considerado um profissional idôneo, se tem
uma aparência saudável, se atua na área de que gosta, se está se sustentando
financeiramente, se a sua competência não está sendo questionada, se está atualizado.
Se você
ligar para alguém, alguém ligará para você. Pode crer.
Baseado no
livro Como ter trabalho e Remuneração Sempre - livro, págs.47/74, do autor
citado, de José Augusto Minarelli, e uma colaboração do grupo Transformações e
Mudanças, que atua na Petrobras, Petróleo Brasileiro S/A.
