O ABC da ética
por Carolyn
Wiley
HSM Management
março-abril 1997
Perto
de 90% das empresas do ranking Fortune 500 já implantaram
códigos de conduta.
A questão da
ética empresarial veio para ficar. Apenas nas universidades
norte-americanas são mais de 500 cursos especializadas na
matéria. O governo dos Estados Unidos promulgou uma lei que
torna obrigatória a recomendação do comportamento ético
também nas filiais das empresas multinacionais que operam no
exterior. Cresce o número de companhias que têm aprovado e se
equipado com códigos de ética.
É complexo o
desafio da busca de uma conduta por parte das organizações.
Para seu desenvolvimento e implantação, o papel dos
administradores é de vital importãncia. Mas tudo começa com
uma compreensão básica do ABC da ética empresarial,
explicitado com clareza meridiana neste ensaio.
Também na
América Latina (e principalmente no Brasil), a questão é de
grande interesse, em decorrência de recentes episódios que
envolveram nomes dos altos escalões de empresas em eventos nos
quais o comportamento ético deixou a desejar.
O que é ética? Ética tem a ver
com obrigação moral, responsabilidade e justiça social. A
palavra vem do grego ethikos (ethos significa hábito ou
costume). Na acepção empregada por Aristóteles, o termo
reflete a natureza ou o caráter do indivíduo. Hoje, também
designa a natureza das empresas, uma vez que estas são formadas
por um conjunto de indivíduos.
A ética pode ser definida de
várias maneiras. Afirma-se que ética é justiça. Em outras
palavras, inclui princípios que todas as pessoas racionais
escolheriam para reger o comportamento social, sabendo que eles
podem ser aplicados também a si mesmas. Por meio do estudo da
ética, as pessoas entendem e são dirigidas pelo que for
moralmente certo ou errado. Entretanto, o assunto continua
controvertido. Afinal, aquilo que é eticamente correto para uma
pessoa pode ser errado para outra.
Por essa razão, a sociedade tende a
definir a ética em termos de comportamento. Por exemplo, uma
pessoa é considerada ética quando seu comportamento está de
acordo com sólidos princípios morais baseados em ideais como
equidade, justiça e confiança. Estes princípios regem o
comportamento de indivíduos e organizações e podem se
fundamentar em valores, cultura, religião e até mesmo
legislaçoes, por vezes mutáveis.
A ética é um elemento essencial do
sucesso de indivíduos e organizações. Por exemplo, nossa
sociedade valoriza a liberdade pessoal. No entanto, se
comprometermos nossa ética no exercício dessa liberdade, a
sociedade será prejudicada. Isso significa que acabaremos por
limitar nossa liberdade individual e o gozo da liberdade por
outras pessoas. A ética, portanto, constitui o alicerce do tipo
de pessoa que somos e do tipo de organização que representamos.
A reputação de uma empresa é um fator primário nas relações
comerciais, formais ou informais, quer estas digam respeito à
publicidade, ao desenvolvimento de produtos ou a questões
ligadas aos recursos humanos. Nas atuais economias nacionais e
globais, as práticas empresariais dos administradores afetam a
imagem da empresa para a qual trabalham. Assim, se a empresa
quiser competir com sucesso nos mercados nacional e mundial,
será importante manter uma sólida reputação de comportamento
ético. Resumindo, um bom código de ética é um bom negócio.
As boas práticas empresariais resultam de decisões morais ou
éticas. A ética corporativa reflete não apenas o teor das
decisões morais - o que devo fazer? - como também o processo
para a tomada de decisões, ou o "como devo fazer".
Nesse tipo de processo decisório,
uma empresa precisa comprometer-se a ponto de ética e lucro não
serem mutuamente excludentes, em princípio e na prática.
Vejamos, por exemplo, o caso do incidente ocorrido com o Tylenol,
fabricado pela Johnson & Johnson. A empresa retirou
imediatamente do mercado esse analgésico, quando foi atingida
por alegações de que o produto havia sido adulterado. Fez, em
síntese, o que era correto, embora pudesse perder dinheiro com
isso. De outro lado, recusou-se a atribuir um preço à sua
integridade. Embora algumas pessoas acreditassem que a empresa
jamais recuperaria seu volume de vendas, a Johnson & Johnson
acabou por reforçar sua forte liderança no mercado, em parte
devido à maneira como enfrentou o incidente.
Práticas empresariais éticas têm
origem em culturas corporativas éticas. A abordagem mais
sistemática para estimular um comportamento ético é
desenvolver uma cultura corporativa que crie uma ligação
entre os padrões éticos e as práticas empresariais. Essa
institucionalização dos padrões éticos começa com a
compreensão da filosofia da ética, e é sustentada por
mecanismos como a estrutura, crenças, códigos, programas de
treinamento, comissões e auditorias sociais da corporação.
Compreendendo
a ética
Quando normas éticas são aplicadas
a uma empresa, há várias opções a fazer, começando pelas
filosofias ligadas à ética. As filosofias básicas são o
utilitarismo, os direitos individuais e a justiça. O conceito
central do utilitarismo é a crença de que a ética será mais
bem aplicada quando o maior beneficio para o maior número de
pessoas for levado em consideração. Os direitos individuais
focalizam a proteção de direitos tais como o direito à
informação e o direito a um processo legal. Finalmente, a
justiça enfatiza a justiça social e a oportunidade, oferecida a
todos, de procurar significado e felicidade na vida. A filosofia
utilitária predomina entre os administradores de empresas.
O utilitarismo é a doutrina segundo
a qual ações certas ou erradas são determinadas por suas
consequências boas ou más. O modelo utilitário exige que o
indivíduo aja de forma a maximizar a felicidade e minimizar a
dor para o maior número possível de pessoas envolvidas.
Já o termo justiça é às vezes
empregado no sentido de lei ou legalidade. Mas justiça significa
mais do que isso.
Uma definição simples é
"equidade". A responsabilidade da justiça é preservar
a ordem numa comunidade. Aristóteles foi o primeiro a definir a
justiça como um tratamento igual para pessoas iguais e desigual
para pessoas desiguais, mas na proporção de sua diferença.
Assim, no contexto da justiça, a
ética de uma ação é determinada pela noção de que pessoas
iguais devem ser tratadas de maneira igual, e pessoas desiguais
devem ser tratadas de maneira desigual, dando-se ênfase à
equidade.
A teoria dos direitos, por sua vez,
reza que cada pessoa tem direitos básicos num universo moral.
Eles incluem o direito de consentir livremente, o direito à
privacidade, o direito de liberdade de consciência, o direito de
liberdade de palavra e o direito a um processo legal. Direitos
básicos e universais são compartilhados por todos os
empregados. São garantidos a todas as pessoas racionais pela
Constituição da maior parte dos países, bem como pela
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Outros modelos podem
ser acrescentados às filosofias básicas que acabamos de
resumir. Entre eles, há o "egoísmo esclarecido".
Este modelo leva em conta prejuízos, benefícios e direitos.
Assim, uma ação será moralmente correta se aumentar os
beneficios para o indivíduo de forma a não prejudicar
intencionalmente outras pessoas, e se esses benefícios puderem
contrabalançar qualquer prejuízo não-intencional resultante.
Uma ação é considerada ética com base no fato de ela produzir
mais resultados bons do que maus para o indivíduo, a longo
prazo.
Há ainda os modelos do
universalismo e da regra de ouro. O universalismo é diferente do
utilitarismo, ao pressupor que o valor moral de uma ação não
pode depender de suas consequências, uma vez que estas são
indefinidas no momento em que é tomada a decisão de agir. O
valor moral de uma ação, ao contrário, depende das intenções
da pessoa que toma a decisão de empreendê-la. O universalismo
pressupõe que determinadas ações podem ser julgadas
intrinsecamente certas ou erradas, independentemente de suas
consequencias específicas.
O modelo da regra de ouro vem da
tradição judaico-cristã, sendo encontrado na maior parte das
grandes religiões sob formas variadas. O princípio básico é
que devemos tratar os outros da mesma maneira que
gostaríamos de ser tratados. Diante de uma questão ética, cada
indivíduo deve identificar os cursos de ação disponíveis e
escolher aquele que permita tratar os outros com a mesma
dignidade e respeito com que ele (ou ela) esperaria ser tratado.
A partir da noção das várias
filosofias ligadas à ética, é preciso convertê-las em
práticas. Elas podem ser materializadas em: estrutura
corporativa, credos, códigos de ética, programas de treinamento
quanto à ética, comissoes de ética, ombudsman, linhas diretas
e auditorias de ética ou sociais. Sabemos que práticas
empresariais éticas resultam de culturas corporativas éticas.
Assim, a questão que emerge na sua implantação é: que
abordagens estruturais estimulam um processo decisório
ético?
Se a meta for conseguir fazer uma
empresa se tornar ética, os administradores precisam introduzir
componentes estruturais que aumentem a sensibilidade ética e
dêem sustentação ao comportamento ético. Um programa
corporativo destinado a institucionalizar a ética poderia muito
bem exigir mudanças estruturais internas que, evidentemente,
criariam e definiriam o papel ético apropriado e a composição
do sistema de governo da corporação. Está claro que nenhum
esforço cooperativo para influenciar um comportamento ético na
organização terá sucesso, a menos que conte com o apoio da
estrutura de autoridade e da cultura da empresa. Uma forma para
tornar operacional esse apoio ao comportamento ético é criar
mecanismos estruturais para administrar a ética. Uma série de
mecanismos estruturais destinados a aconselhar os administradores
nessa área, monitorar o comportamento ético e comunicar as
políticas ligadas à ética é geralmente implantada nas
organizações empresariais.
Um levantamento feito pelo Centro de
Ética Empresarial (dos EUA) esclarece as mudanças estruturais
realizadas por algumas empresas. Ele indica que 20% das
companhias que adotaram medidas em relação à ética alteraram
a estrutura corporativa para acomodar os esforços de sua
implantação. Desses 20%, 39% modificaram o papel da diretoria.
Além disso, 24% promoveram uma
participação maior dos trabalhadores no processo de
tomada de decisões e 7% promulgaram uma declaração dos
direitos dos empregados. O levantamento também mostrou que os
códigos de ética ou de conduta, treinamento dos empregados e
auditorias sociais revelaram-se as abordagens mais populares para
infundir valores éticos na organização.
| O credo da Johnson & Johnson |
| "Acreditamos que nossa primeira responsabilidade é para com médicos, enfermeiras e pacientes, mães e todas as pessoas que usam nossos produtos e serviços. Para atender suas necessidades, tudo o que fazemos precisa ser de alta qualidade. Precisamos lutar constantemente para reduzir nossos custos, a fim de manter preços razoaveis. Os pedidos dos clientes devem ser atendidos pronta e corretamente. Nossos fornecedores e distribuidores devem ter a oportunidade de obter um lucro equitativo." |
Credos e
códigos
Um credo corporativo é
provavelmente a abordagem mais comum da questão da
administração da ética empresarial (quadro acima). Esse credo
descreve a responsabilidade ética da empresa em relação a
todas as pessoas que têm interesses investidos nela,
apresentando um conjunto de princípios e crenças que podem
servir para orientar e dirigir os empregados. Internamente, serve
como padrão para julgar os programas existentes e como
justificativa para novas atividades.
O credo deve ser interpretado como
uma afirmação de missão, e não apenas como um documento sobre
a ética. Poderá focalizar as responsabilidades em relação aos
clientes, empregados, comunidades e acionistas. Um credo é como
os Dez Mandamentos. Ambos determinam princípios gerais, mas
muitas pessoas precisam da Bíblia inteira, com suas descrições
e interpretações acuradas. Da mesma forma, muitas empresas
verificam que devem oferecer uma orientação mais concreta a
respeito de questões éticas, por intermédio de programas e
códigos específicos.
O sinal mais visível da filosofia
de conduta de uma empresa é, provavelmente, o seu próprio
código de ética. Os códigos de conduta foram adotados pela
primeira vez por volta de 1900, em resposta às reformas
instituídas no fim do século XIX (nos EUA). Nos anos 50, os
códigos corporativos começaram a incluir referências às leis
antitruste e à maneira de cumpri-las. Hoje, a maior parte das
grandes empresas e órgãos governamentais tem códigos de
conduta que representam as políticas empregadas para definir um
comportamento ético.
Eles são ferramentas utilizadas
para padronizar o comportamento, à medida qtie as empresas
tornam-se maiores e geograficamente mais dispersas. Entre as
empresas do ranking Fortune 500, 90 % têm codigos de
ética. Geralmente, eles se referem a questões como conflitos de
interesse, concorrentes, privacidade, dar e receber presentes ou
contribuições políticas.
Entretanto, o simples fato de se
elaborar um código não é suficiente. Ele precisa ser feito sob
medida para as áreas funcionais da empresa (por exemplo,
marketing, finanças, recursos humanos) ou para sua principal
linha de negócios. O raciocínio que norteia os códigos sob
medida é simples. Áreas ou divisões funcionais têm
culturas e necessidades diferentes. Uma divisão de bens de
consumo, por exemplo, tem um relacionamento um pouco
distante com os clientes, já que depende em grande medida da
publicidade para vender seus produtos. De outro lado, uma
divisão que fabrica produtos industriais tem menos clientes e
utiliza uma abordagem pessoal através de seus vendedores.
Os códigos precisam refletir estas diferenças. Além disso, se
os códigos devem servir de base para a implantação, precisam
incluir as características relacionadas abaixo:
| Especificidade. Os códigos devem dar exemplos específicos para os empregados a fim de que estes possam determinar exatamente se suas ações violam as normas ou não. |
| Publicidade. Os códigos devem ser documentos públicos à disposição de todas as partes interessadas para que possam consultá-los e/ou verificar o compromisso da empresa com práticas equitativas e éticas. |
| Clareza. Os códigos devem ser claros, objetivos e realistas a respeito das punições previstas para aqueles que os violarem. |
| Revisão. Os códigos devem ser periodicamente revistos. Trata-se de documentos vivos que precisam ser atualizados a fim de refletir problemas atuais. |
| Obrigatoriedade. É preciso que haja alguma forma de fazer cumprir os códigos. |
Uma organização deve prever tanto
recompensas pelo cumprimento das diretrizes, quanto punições
quando ações antiéticas forem identificadas. Quando tais
ações não são punidas, espalha-se a noção de que a
organização não está realmente interessada na ética. Em
alguns casos, o rebaixamento a um cargo menos importante, em vez
da dispensa do funcionário, pode ser suficiente para deixar bem
claro este ponto.
Os funcionários que interagem mais
frequentemente com pessoas de fora da companhia, e que mais
provavelmente tomarão as decisões, deveriam assinar
declarações de que leram e cumprirão as políticas de ética
da empresa. Todos os empregados, no entanto, precisam entender
que todos são obrigados a obedecer esses códigos. Além disso,
os administradores devem agir como modelos para os outros
empregados. Dando um bom exemplo, os administradores demonstram e
reforçam o comportamento ético esperado dos outros
funcionários.
Com toda a ambição e a corrupção
que permeiam o mundo, talvez seja encorajador verificar
que há um
número crescente de corporações
que estão adotando programas internos de treinamento em
questões de ética. Na verdade, o Centro de Ética Empresarial
observou recentemente que 45% das mil maiores companhias dos EUA
atualmente desenvolvem programas ou seminários sobre ética, o
que representa um crescimento em relação à porcentagem de 35%
de cinco anos antes. Esses programas proporcionam uma
orientação mais específica do que a contida nos credos para
lidar com possíveis problemas éticos, e facilitam a percepção
e a aplicação prática do código da companhia. Os padrões de
ética são reiterados por intermédio dos programas de
treinamento, para que considerações de conduta influenciem todo
o pensamento e todo o processo decisório da empresa. Por
exemplo, o Chemical Bank, um dos maiores bancos norte-americanos,
tem um extenso programa de ensino da ética. Todos os novos
empregados participam de uma sessão de orientação, na qual
leem e assinam o código de ética do Chemical. A Dow Coming
também tem um programa específico de divulgação da ética.
Seu código genérico inclui uma declaração de valores com sete
pontos que é empregada nas "auditorias de ética"
realizadas nas suas fábricas do mundo inteiro. O treinamento
normalmente começa com sessões de orientação e discussões
abertas a respeito do código de ética da empresa. Essas
atividades frequentemente são ilustradas pela utilização de
cenários fictícios envolvendo questões éticas que refletem
situações que os empregados poderão encontrar no trabalho.
Isso dá a cada funcionário a possibilidade de tomar decisões
de conduta em situações realistas e discuti-las abertamente com
seus colegas e supervisores. Organizações como a McDonnell
Douglas e a General Dynamics empregaram esses cenários de
treinamento para que seus códigos deixassem de ser simples
documentos e se transformassem em ferramentas úteis para
treinar, educar e promover a comunicação a respeito dos
padrões éticos. A existência desses programas específicos
cria um clima moral menos ambíguo do que o observado nas
empresas que não os têm.
As comissões de ética, ombudsman e
linhas diretas são outros métodos usados para implantar as
políticas relacionadas com a ética empresarial. Nos últimos
cinco anos, houve um aumento considerável do número de empresas
aparelhadas com conselhos consultores, linhas diretas para dar o
alarme, ombudsman e diretores de ética. Tais estratégias
indicam que as empresas reconhecem que os empregados poderão
enfrentar dilemas morais e sugerem que a administração apóie
seus esforços no sentido de tomar as decisões certas. Por
exemplo, a Motorola tem uma Comissão de Cumprimento da Ética
encarregada de interpretar, esclarecer, comunicar e fazer cumprir
o código da companhia. Sem uma comissão ou ombudsman incumbidos
desta tarefa, seria dificil imaginar como os códigos poderiam
ser adequadamente cumpridos, ou de que maneira as alegações de
sua violação poderiam ser efetiva e equitativamente julgadas.
Infelizmente, o perfil típico das comissões de ética é
fortemente voltado para a alta administração - são criadas sem
grande representação dos empregados das camadas
hierarquicamente menos elevadas. Apenas 23% dos que responderam
ao levantamento feito pelo Centro de Ética Empresarial incluíam
gerentes de nível hierárquico abaixo do conselho ou da
diretoria executiva como membros de suas comissões de ética; e
somente 8% tinham membros que não eram gerentes. A maior parte
dos integrantes é nomeada, e não eleita. De outro lado, algumas
empresas nomearam um ombudsman. Além disso, muitas outras contam
com linhas diretas que permitem que os empregados denunciem
comportamentos antiéticos.
Em 1986 e 1987, a General Dynamics
instalou aproximadamente 30 linhas telefônicas diretas na
empresa, inclusive um número para chamadas gratuitas para a sede
da corporaçao. Essas linhas geralmente são atendidas por
diretores do programa de ética. A Nynex deu aos seus 94 mil
empregados uma linha direta a ser usada para "dar o
alarme". Já a Pacific Bell recebe 1,2 mil telefonemas por
ano numa linha direta instalada em 1989. Esses expedientes
aumentam a eficácia dos programas de ética das empresas porque
servem como um canal que os empregados podem utilizar para
levantar questões ou procurar conselhos a respeito do
significado e aplicação dos padrões. Permitem, também, que os
empregados expressem suas preocupações a respeito de
represálias.
Um outro mecanismo para implantar a
ética empresarial é a auditoria de ética. Sua função (social
ou moral) é levantar questões relacionadas aos métodos de
fabricação, políticas de recursos humanos, negociações com
os fornecedores, relatórios financeiros e técnicas de venda, a
fim de descobrir se abusos antiéticos estão ocorrendo. A Dow
Corning instituiu, há mais de dez anos, uma auditoria nas
instalações da companhia no mundo todo. A agenda foi modificada
ao longo dos anos, passando de uma discussão padronizada para a
discussão personalizada das questões específicas que têm a
ver com áreas funcionais. Nos escritórios de vendas, são
examinadas questões como vantagens, pedidos incomuns dos
clientes e preços especiais.
O Industrial Management
| Carolyn Wiley, PhD, é professora de Administracão da Universidade do Tennessee, em Chattanooga, Tennessee (EUA). |