Educação
como Prática de Liberdade
por Paulo Freire
O pensamento do educador . Idéias extraídas de seus livros |
A prática da Educação:
A melhor forma de ensinar e defender com seriedade,
apaixonadamente,uma e/uma posicao, estimulando
e respeitando, ao mesmo tempo,o direito ao discurso contrario. Estara ensinando, assim, o
dever de brigar
por nossas ideias e,ao mesmo tempo, o respeito mutuo.
Numa visao progressista, o treinamento puramente tecnico nao e suficiente. O trabalhador
tem o direito de
saber a razao de ser do procedimento tecnico, de refletir sobre as implicacoes da
tecnologia, seus avancos e riscos -- nao um simples ato de acionar valvulas.
E fundamental para nos, profissionais de varias especialidades, ter uma posicao critica,
vigilante,
indagadora, em face da tecnologia.O objetivo a atingir e a possibilidade de se exercer o
controle sobre a
tecnologia e po-la a servico dos seres humanos.
Todos os profissionais tem o direito de saber como funciona sua sociedade, de conhecer
seus direitos e
deveres, de conhecer sua historia e o papel dos movimentos populares. Todos nos
profissionais temos que ter uma compreensao de nos mesmos enquanto seres politicos,
sociais, culturais.
Uma visao ingenua da pratica educativa e ve-la como pratica neutra, a servico de ideias
abstratas. A
impossibilidade de ser neutro ou apolitico e que exige do educador uma etica: o que me
move a ser etico e
saber que a educacao e politica. Respeitar os educandos e nao mentir para eles dizendo que
estudar nao
tem nada a ver com o que se passa no mundo la fora.
Mas essa intervencao do educador deve ser nao a propaganda ideologica mas sim o trabalho
atraves do
qual as pessoas vao se assumindo como sujeitos curiosos, indagadores, como sujeitos em
processo
permanente de busca, de descoberta da razao de ser das coisas.
Ensinar nao e uma simples transferencia de "conteudo" ao aluno passivo. E
considerar - e nao subestimar -
os saberes de experiencia, o saber de senso comum, o saber popular. Partir sim desse saber
- o que nao
significa "ficar nele". E um direito de todos:descobrir a razao de ser das
coisas nao deve ser privilegio de elites.
E necessario entender como os grupos de trabalhadores fazem sua leitura do mundo, entender
sua "cultura
de resistencia", entender o sentido de suas festas, ver a riqueza de sua fala e de
seus simbolos.
Compreender o movimento contraditorio entre rebeldia e acomodacao.
Outra responsabilidade nossa e a coerencia entre o pensar e o falar, entre o falar e o
fazer. Mas a
coerencia nao e imobilizante: posso mudar de posicao no processo agir/pensar.Minha
coerencia,
necessaria, se faz entao com novos parametros.
Sonhar faz parte da natureza humana - um sonho possivel, uma utopia. Denunciar um presente
cada vez
mais intoleravel, colocar um futuro a ser construido por nos.
Mudar a linguagem faz parte do processo de mudar o mundo: nao e preciso esperar que o
mundo mude
para se mudar a linguagem.A incontinencia verbal, o palavreado irresponsavel sao um
equivoco, nao tem
nada a ver com uma compreensao correta da luta. Suas consequencias apenas retardam as
mudancas
necessarias.
O processo de educacao nao se completa na etapa de desvelamento de uma realidade, mas so
com a
pratica da transformacao dessa realidade. Estas duas praticas - conhecimento e
transformacao - formam
uma unidade dialetica.