| Cada vez mais as
decisões importantes são influenciadas pela intuição. É que o mundo começa a viver uma nova era. |
O diretor pediu a palavra e, diante de um grupo de liderados, não teve constrangimento em afirmar que muitas das suas decisões eram tomadas instintivamente. A platéia silenciou! Por alguns segundos, sentiu-se no ar o impacto daquela declaração. Como o diretor de uma das maiores empresas construtoras do país assumia diante de engenheiros, economistas e técnicos que, muitas vezes, decidia questões que envolvem centenas de milhares de dólares usando a intuição? Era uma postura, no mínimo, surpreendente.
Isso aconteceu em um sábado deste ano, durante mais um workshop que realizávamos para um grupo de aproximadamente 70 pessoas, em São Paulo (SP). Havíamos passado toda a manhã, e já boa parte da tarde, falando sobre Programação Neurolingüística (PNL) e outras técnicas que favorecem a Comunicação Interpessoal, o autoconhecimento, o autodesenvolvimento, sempre demonstrando como esses conhecimentos contribuem para a melhoria dos relacionamentos pessoais, profissionais e afetivos. Naquele momento, entrávamos em uma questão que, para a maioria. ainda é um assunto extremamente novo e revolucionário: a chamada Quarta Era, a Era da Intuição.
Para nós não foi surpresa a declaração daquele jovem executivo. Trabalhamos com a intuição no Evoluir -Instituto de Reestruturação Pessoal- há um bom tempo. Incluímos a Intuição no programa daquele workshop, conscientes de que seria um assunto polêmico e provocador, para uma platéia que reunia um grupo de pessoas habituadas a decidir sobre seus problemas -profissionais e pessoais- de forma lógica e racional. Mas não contávamos com aquele aliado de última hora.
"Intuição?! Intuição é coisa de mulher. A mulher decide com o coração, não com o cérebro". Quantas vezes ouvimos isto. E é verdade. A mulher desenvolve mais essa capacidade de intuir, de perceber, de sentir. Por uma razão muito simples: culturalmente lhe é permitido agir desta forma. Não sofrem as pressões impostas aos homens, sempre cobrados e criticados quando se deixam levar pela emoção em suas decisões. Por isto, causa impacto e surpresa toda vez que um homem admite estar agindo por intuição. Muito mais estranheza, se esse homem é o executivo de um grande grupo e está diante de seus subordinados.
Há dez, talvez cinco anos, essa declaração provocaria um espanto ainda maior. Ou o executivo não teria coragem para tanto. Mas hoje o assunto não é mais tão esotérico. Publicações especializadas em temas empresariais abrem espaços para ouvir pessoas capazes de administrar seus negócios com boas doses de intuição. Em determinadas situações, preferem usar, como disfarce, o termo "feeling", mais charmoso. Para nós, no entanto, é o início da quarta Era -a Era da Intuição.
Mas o que vem a ser essa Intuição da qual estamos falando? É a forma de captar informações (e decidir) sem recorrer aos métodos de raciocínio lógico. É, na verdade, ter informações, dados e conhecimentos teóricos e práticos armazenados no inconsciente, mas agir sem a necessidade de trazê-los ao consciente. Parece complicado?
Imagine-se em um congestionamento de trânsito. Há duas opções de caminhos a seguir. E, sem que se saiba porque, você faz a opção por um deles. Há uma razão lógica? Não, pura intuição. Mas por trás dela, seu cérebro analisou as alternativas, vivenciou experiências passadas em outros congestionamentos e decidiu que aquela seria a melhor opção. Obedecendo ao primeiro impulso, quase que invariavelmente, escolhe-se a melhor saída.
Aquela mãe, no meio da noite, levanta-se e vai até o quarto do bebê, por pura intuição. Lá, descobre seu filho sufocando. Seu inconsciente, preocupado com a criança, não deixou de estar alerta e lhe enviou sinais. Talvez um ruído, ou mesmo o silêncio pouco habitual. Mas sempre experiências e conhecimentos anteriores. A intuição a fez levantar-se. Ela não pensou antes de agir.
Andar de bicicleta. Alguém já se imaginou andando de bicicleta, seguindo um manual prático de ciclismo, teorizando cada um dos movimentos? Claro que não. Porém, instintivamente, intuitivamente, todos os, seus sentidos estão alertas. A velocidade do vento no rosto, a trepidação dando informações sobre as condições do piso, o ruído do motor do automóvel que se aproxima. Informações que seu cérebro vai processando enquanto admira a paisagem, ou pressente o perigo.
Hemisférios
A humanidade passou pela Era da Agricultura, quando aprendeu a cultivar a terra para garantir seu alimento e sua sobrevivência. Foram longos anos, entre 3.000 e 5.000. No século passado conhecemos a Era Industrial, que estendeu-se por 200 anos. Foi a era das máquinas, que começava a fazer o trabalho humano. Na metade do século 20 teve início a Era da Informação, da Informática. Percebe-se claramente a velocidade com que as novas eras chegam, trazendo transformações fantásticas, mudando a nossa maneira de viver e, principalmente, dever o mundo, de pensar e agir.
Mas até agora, para transformar o mundo, o homem se utilizou apenas de uma reduzida parcela de sua capacidade, de sua inteligência, de seu cérebro. O homem usou apenas o hemisfério esquerdo do seu cérebro, onde estão a lógica, a linguagem, a escrita, a capacidade de calcular, o pensamento digital e linear, a noção de tempo e a inteligência. A chegada da Era da Intuição permitirá ao ser humano usar a outra metade do cérebro e a conhecer mais o seu potencial criador.
No hemisfério direito estão a percepção da forma, a sensação de espaço, as formas arcaicas de linguagem, a música, o olfato, o holismo, a intuição, o simbolismo, a visão abrangente de mundo. Isto está cientificamente comprovado. Os avanços da ciência médica desvendam os mistérios do funcionamento cerebral e ainda há muito a se descobrir para permitir ao homem usufruir de todo esse potencial. A quarta era terá o ser humano dominando seu cérebro, utilizando seus dois hemisférios com a mesma intensidade, intuindo e raciocinando. A idéia é usar a lógica e o raciocínio para buscar os recursos que nosso hemisfério cerebral direito oferece. Este é o verdadeiro significado da Intuição. Algo que algumas pessoas já fazem, mesmo sem conhecimento completo dessa capacidade.
Foi interessante ouvir o diretor dizer que algumas de suas decisões mais importantes eram frutos da intuição. Ele chegou a explicar que antes dessas decisões relaxava, e através da meditação, buscava a tranqüilidade. Disse que colocava-se em repouso, física e mentalmente, até que a solução para o problema surgisse. Para questões mais simples, alguns minutos eram suficientes. Sua secretária -também presente no workshop- poderia confirmar que esse relaxamento, muitas vezes, estendia-se por 30, 40 minutos, "quando a decisão é mais importante, acrescentou.
É evidente que os executivos têm acesso a um volume de informações imenso. Estão ocupando postos de comando, em função de muita experiência adquirida no cotidiano de suas atividades, e estão nesses postos porque demonstraram competência para isto. Suas decisões lógicas e racionais são acertadas. Mas não podemos nos esquecer de que "as grandes sacadas" no mundo dos negócios tiveram uma carga muito grande de intuição. Bill Gates percebeu, sentiu, teve 'feeling', intuiu que os computadores pessoais (PC) seriam o futuro da informática. É hoje o homem mais rico do mundo.
Empresas do porte de uma 3M, por exemplo, permitem que seus empregados dispensem 10% de seu tempo de trabalho para ter novas idéias. Incentivam isso e apóiam material e financeiramente o desenvolvimento de novos projetos.
Aproveitando o momento vivido recentemente no clima de Copa do Mundo: será que os grandes gênios do futebol não são pessoas com maior capacidade de intuir jogadas? De iludir o adversário, executando algo inesperado, diferente? Como um jogador pode passar a bola para outro, de costas, sem ver o companheiro que está melhor colocado? Porque depois de muito treino, de muita prática e diante da colocação dos adversários em campo, ele intuiu que um companheiro seu estará naquele local do campo -mesmo sem precisar olhar para trás.
Razão, sentimento, percepção e intuição são capacidades humanas. Precisamos deixar de lado preconceitos culturais. Abrir nossas mentes e nossos espíritos para entrar nesta nova fase da evolução da humanidade: a Era da Intuição.
O que antes ficava para as conversas reservadas nos intervalos para café ou para o final das palestras, agora começa a se apresentar para discussão em grupo. Muitos saíram de lá nos afirmando que fariam um simples exercício, uma experiência prática que recomendamos também para você: anote em um caderninho suas intuições. Siga essas intuições que parecem bobagem. E comprove o resultado.
Em outras oportunidades voltaremos ao assunto, revolucionário, mas sempre instigante.
"Foi interessante ouvir o diretor dizer que algumas de suas decisões mais importantes eram frutos da intuição. Ele chegou a explicar que antes dessas decisões relaxava, e, através da meditação, buscava a tranqüilidade. Disse que colocava-se em repouso, física e mentalmente, até que a solução para o problema surgisse"
Os autores são membros do Evoluir -Instituto de Reestruturação Pessoal.
Contato pelo telefone: (011) 6942-0149