Enfoque
Sistêmico...
Estadão
15/3/96
Excertos de Evite Divisões Na Mesma
Organização de Eduardo Botelho (um dos palestrantes no V ENCONTRO
DA DIRINF-SP). Artigo publicado pelo "Estadão" em
15/3/96
As varias empresas dentro da empresa e' um dos fenômenos mais
comuns em praticamente todas as organizações que conhecemos. E'
absolutamente "normal" haver a "empresa
contabilidade", a "empresa da direção", a
"empresa de comercialização" etc. dentro de uma mesma
empresa. Enfim, cada setor se considera e tenta funcionar,
equivocadamente, como se os outros não existissem, ou, pior
ainda, criando problemas para eles, pois estes ,também, sempre
que podem, fazem o mesmo.
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Esta não é uma situação absolutamente
nova, nem rara; e por que continuamos a
tê-la, se é tão danosa para todos? Por
que temos que conviver com o setor
"a" criando casos e complicando
a vida dos setores "b"
"c" "d ", etc., e
estes, por sua vez, fazendo exatamente a
mesma coisa com aquele? A que resultados
isto nos leva? O que ganhamos com isto?
Ou, melhor ainda, quem ganha com isso?
Se você estiver procurando um culpado por
esta situação DESISTA; ele não existe. Se
você estiver pensando procurar as causas
desta situação, DESISTA; elas também não
existem. Se você estiver pensando em
corrigir esta situação com
aconselhamentos, desista também, pois
eles também não funcionam. Se você
estiver pensando em mudar este quadro com
demissões de alguns, desista, pois os
que ficarem estabelecerão os mesmos
procedimentos com os novatos; se você
estiver pensando em colocar os possíveis
agentes desta situação numa mesma reunião
e fazer uma "hora da verdade",
desista, não ira'funcionar.
Dependendo do que fizer, você corre o
serio risco de piorar a situação, pois
pode acontecer que as pessoas acabem se
acusando umas às outras de terem sido
traídas e, ao invés da solução, você terá
mais problemas.
O que vou dizer em seguida não serve absolutamente de consolo, mas a verdade é que esta
situação não é apenas sua,
pois raríssimas são as vezes que vou a
uma empresa e encontro uma situação
diferente desta. Raríssimas vezes.
E o que aconteceu nessas empresas
(poucas) que não tem este tipo de
problemas? Aconteceu que houve uma
liderança atuante e eficaz no sentido de
formar um só grupo. Houve um líder que
teve talento e competência para UNIR as
pessoas em torno de um ideal comum, de um
desafio comum, de uma
"bandeira" aceita por todos. O
fenômeno da UNIÃO ocorre a partir da ação
de um Líder cuja preocupação maior e' a
cabeça (sadia) das pessoas, cujas
atitudes inspiram confiança e fazem com
que elas tenham vontade de contribuir
para o COLETIVO. Esse comportamento
inspira e incentiva tomadas de
iniciativas e cujos contatos são sempre
estimulantes e inspiradores. Este
talento, estas atitudes e comportamentos
fazem com que todos se unam e passem a
viver conscientemente a interde pendência
como única forma de sobrevivência
coletiva.
Não há mais espaço no mercado para as
empresas que não tem capacidade de ser
"Uma só" na cabeça de todos.
Não pode haver divisões, não ha.'mais
lugar para setor ou departamento. Ha.' que
se implementar o conceito de
"célula", em que todos
interagem permanentemente em favor de
todos.
Não há possibilidade de sobreviver
durante muito tempo se houver, por
exemplo, um grupamento chamado de
representantes e outro de representados;
ou um agrupamento chamado de
contabilidade e outro de comercialização.
Isto não é mais sustentável nos nossos
dias. As empresas que estão ganhando a
"guerra da sobrevivência"
estão, em primeiro lugar e antes de tudo,
unindo pessoas; tratando do futuro comum;
das conquistas comuns; das vitórias
comuns; enfim, estão falando e
trabalhando o comum a todos e não as
partes
