O Stress e a Organização

por Antonio Paulo Comis

Revista CIPA
vol. 18 - n. 211 (julho/1997)

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Stress não é doença, é luta contra um agressor, é a reação do organismo a mudanças. Havendo qualquer alteração nas condições de sobrevivência do organismo, imediatamente, entram em ação vários mecanismos de defesa para o retorno ao equilíbrio. Empregado em termos médico e biológico, o stress expressa o esforço de adaptação dos mamíferos para enfrentar situações que o organismo percebe como ameaçadoras ao seu equilíbrio interior.

No caso dos seres humanos, o processo de stress é basicamente o mesmo verificado por outros animais, com duas grandes diferenças: em primeiro lugar as ameaças do mundo externo ao "eu" do indivíduo são de múltiplas origens e em sua percepção há um forte componente subjetivo provindo do interior da pessoa que é muito mais significativo; em segundo lugar que a descarga gerada pela sensação de perigo ocorre principalmente sobre a musculatura que não depende da sua vontade, a assim chamada musculatura lisa, que é a responsável pela movimentação do estômago, dos intestinos e do coração. Assim, o organismo reage aos agentes estressores de forma semelhante, liberando adrenalina, cortizol e até insulina, para preparar o organismo para uma situação interpretada como de perigo e que resultará em "lutar ou fugir" do inimigo.

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O stress, ou melhor, o colapso resultante é influenciado ou agravado pelo tipo de personalidade das pessoas, pelo tipo de "papéis" que a sociedade lhes obrigam a desempenhar, pela estrutura organizacional das funções que exercem nas empresas e, naturalmente, dos acontecimentos particulares a que estejam envolvidas. Apesar das ameaças terem conotações pessoais, os especialistas relacionam alguns estressores comuns, universais, importantes, onde certamente trariam grandes benefícios às empresas e pessoas quando reduzidos.

Pressa - O ser humano tem medo do desconhecido. A pressa, quando não há estabelecimento de métodos para a execução, previsão de tempo para tal, enfim, planejamento, é angustiante e, sem parâmetros de resultados, o executor fica sob pressão em todos os sentidos: erros, prazos, qualidade e eficiência. A angústia em terminar logo, para livrar-se da pressão é grave; planejamento e organização transformam a pressa em rapidez.

Ambigüidade - A incerteza é estressante. A falta de definições "do que e como fazer", de parâmetros comparativos de atuação, de normas e procedimentos, são comuns nas empresas e, conseqüentemente, os colaboradores, confusos e embaraçados, estabelecem objetivos pessoais dando sentido de realização a seus esforços, às vezes, conflitantes com os da empresa. As avaliações de desempenho, por exemplo, deveriam destinar-se a responder as ansiedades das pessoas, desempenho esperado, resultado individual comparado com o do grupo, fatores para aprimoramento e treinamento, etc. Entretanto, quando há, é feita sem critérios, mais para ajudar alguém a obter aumento salarial. Evitar ambigüidades e as situações paradoxais nas empresas será alívio para seus empregados.

Comunicação falha - Modernamente, diz-se que um setor de uma empresa é "cliente" de outro e os colaboradores "prestam serviços". Como podem preparar-se para o aprimoramento desses serviços, quando não conhecem objetivos, estratégias, mudanças nos sistemas, etc.? No mínimo a informação é um direito dos funcionários, do contrário, é falta de consideração pessoal e afronta à dignidade. Normalmente, são buscadas "à boca pequena", distorcidas e viciadas ou nos lacônicos quadros de aviso ou nos jornais internos, impessoais. A boa comunicação demonstra o interesse e o respeito para com as pessoas em produzir a informação "pura" e oportuna, considerando os vícios de formação e personalidade do interlocutor. O ser humano não quer ser apenas um número.

Acontecimentos pessoais - Parece difícil para as empresas atuarem nesse campo de forma positiva. Porém, oferecer um ambiente digno no aspecto social, onde se reconheça os esforços dos colaboradores e promova-se possibilidades de realização no trabalho, sem dúvida, irá amenizar as "ameaças" e compensar os dissabores individuais.

Ultimamente, com as recentes mudanças econômicas e financeiras no Brasil, com a globalização e conseqüente concorrência internacional, o quadro de "ameaças" ampliou-se e o colapso do stress agigantou-se.

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  Antonio Paulo Comis é Economista e Engenheiro Industrial, especialista na prevenção de doenças ocupacionais