A felicidade é uma vantagem competitiva

por Roberto Shinyashiki
Você S.A.

Agosto/98


Acredite: ser feliz ajuda um bocado na busca do sucesso profissional

 Certamente seus últimos dias têm sido superatarefados, problemas para resolver, relatórios, apresentações, visitas.
Quando alguém ousa falar perto de você em "felicidade", certamente a sua pergunta é: "Como dá para ser feliz num mundo cheio de pressão?"

É preciso perceber que felicidade e sucesso não são acontecimentos antagônicos, mas sim complementares. Para que um aconteça é necessário que o outro também esteja presente. Como o sol e a lua, o dia e a noite, a inspiração e a expiração.

A felicidade é o sucesso da alma e o sucesso é a felicidade da realização. Não há que escolher entre um ou outro, mas sim encontrar uma maneira de unir os dois. Por certo, uma pessoa feliz vai conseguir realizar suas metas profissionais e atingir seus objetivos. E esse sucesso torna as pessoas mais felizes com suas vidas. É como nas relações afetivas, nas quais o amor e a paixão precisam ser integrados para que estas perdurem e sejam sempre renovadas, proporcionando às pessoas envolvidas um sentido de realização e sucesso afetivo.

Muitos afirmam que a felicidade não existe ou não passa de um sonho, um conceito apregoado por visionários. Muita gente também relaciona o envelhecer a um empobrecimento dos sonhos. Quando se é jovem sonha-se em construir uma carreira que ajude as pessoas e transforme a vida e o mundo. Porém, quando se chega aos 40 anos, tudo que se quer é ganhar dinheiro e pagar as contas no final do mês. Essas pessoas dizem que essa é a realidade e assim é a vida. Não é obrigatoriamente assim. Por certo será, se houver uma crença apostando nesta ótica. Se alguém pensar que a felicidade não existe, é exatamente isso que vai acontecer.

Na Índia, diz-se que tudo acontece dessa maneira porque Deus só sabe dizer a palavra "sim". Mas, ele não diz "sim" para o que se pede - pois ele não é um pai superprotetor - e sim para o que se acredita.

A diferença está, então, em acreditar que vai ser demitido ou que é possível ser bem-sucedido e feliz. O "sim" virá, mais cedo ou mais tarde. Obviamente, vivendo na dinâmica imposta pelo mundo em que vivemos, a questão é como atingir esses dois objetivos de forma simultânea. Porque há pessoas que estabelecem algo como "serei bem-sucedido até os 60 anos e depois serei feliz".

Se o que realmente importa é ter sucesso e ser feliz ao mesmo tempo, a questão passa a ser como posicionar-se de forma adequada considerando as enormes e diferentes exigências dos tempos atuais.

É preciso ter uma estratégia para transcender o simples viver por viver e saber colocar-se perante a vida, seus desafios e, principalmente, os próprios objetivos. Afinal, está em ação a primeira geração da Era do Caos. Muitas pessoas não se apercebem de que tudo que acontece na vida e no mundo dos negócios está ocorrendo de forma totalmente diferente de há pouco tempo.

Antigamente, fazer um curso superior, como o de Medicina, asseguraria ao formado ganhar um bom dinheiro.
Por certo, ganharia mais do que uma enfermeira. Não é assim que acontece hoje. Neste novo mundo, o pensamento linear foi substituído pelo caótico. É preciso saber enfrentar no mundo dos negócios de hoje a competição não tradicional.

No livro Competindo pelo Futuro, Gary Hamel e C.K. Prahalad defendem a importância de cuidar da nossa empresa. Mas vão além. Eles pregam a necessidade de recriar todo o nosso setor de atuação através da observação de que a competição não tradicional é hoje responsável pela destruição da maioria das empresas e das profissões.

Neste mundo, as ameaças não são mais as ameaças do dia-a-dia, a lógica não é mais a mesma. É preciso entrar nesse turbilhão. O mundo do caos foi fortemente estimulado pelo fenômeno da velocidade da comunicação. Hoje percebemos o que está acontecendo na rápida destruição do mercado de capitais de vários países. É nítido o quanto a velocidade da comunicação faz com que a mudança da respiração do ministro da fazenda de Hong Kong provoque alterações nas aplicações nos fundos de pensão no Brasil.

Esta velocidade hoje estabelecida configura o que, no fim da década de 60, McLuhan denominou de "Aldeia Global". A tecnologia está disponível a um número muito maior de pessoas e faz com que tudo possa ser do conhecimento de quase todos - sejam produtos, serviços ou informações.

Na atual condição da alta competitividade, a falta de tecnoligia define quem está fora da competição. Mas não garante que uma companhia aérea é boa apenas porque possui grandes aviões. É preciso ter também excelentes serviços de manutenção e informação, por exemplo, além de ter bons equipamentos.

A quebra das barreiras e fronteiras gerou "comoditização" de produtos e serviços. A maioria do que consumimos, quer sejam roupas ou até recentemente a exclusiva picanha maturada, hoje são itens produzidos e copiados em qualquer lugar. E a preços baixos.

Portanto, é fundamental perceber que a exigência desse mundo de caos é que se venda mais do que roupas. É preciso que a loja saiba vender beleza, elegância. No restaurante, não se pode vender simplesmente comida, sem correr o risco da inevitável pergunta: por que um coxinha de galinha custa o preço de um quilo de frango? O restaurante vende encontros, amizade, paquera, informação. O que significa que aquele que simplesmente vender comida estará perdendo o valor agregado, relacionado à troca que se faz entre o conceito de preço baixo pelo de preço justo.

Nessa nova ótica, fica claro que apenas o dinheiro ou tecnologia não são mais suficientes. As empresas campeãs vendem produtos e serviços. Mas também entregam a felicidade como bônus, em vez de darem aos seus clientes a angústia da incerteza sobre a qualidade ou a confiabilidade, ainda tão comuns.

Dessa forma, neste mundo atual, a felicidade passa a ser uma vantagem competitiva. O cliente deve sentir que está comprando mais do que um bom equipamento para cópia xerográfica ou um hambúrguer. Relacionamento, suporte técnico, clima alegre e tranqüilo dão ao produto ou serviço adquiridos um valor especial.

O mercado de trabalho hoje diminui as oportunidades para os profissionais, mas especialmente para aqueles não capacitados para esta Era do Caos. O profissional para vencer neste tempo precisa gostar de adrenalina, de desafios. E isso não significa que deva haver um estímulo para retomar a postura de "dar o sangue" para a empresa.
O que ocorre é uma necessidade de evolução daquele profissional tradicional. Na falta dessa evolução, não apenas sua carreira mas toda a sua vida acaba parada.

Atualmente, acomodar-se por um ano é muito mais perigoso do que foi fazê-lo por 10 anos no começo deste século, até porque a velocidade desta Era do Caos era inimaginável há apenas 20 anos.

As grandes modificações nas relações são provas de que não é mais possível permanecer inerte perante a realidade. É preciso evoluir como profissionais, como amigos, como maridos e esposas, como pais.

Perdedores são pessoas hábeis em reclamar, acusar culpados e dar desculpas, o que só faz aumentar os seus problemas. Falam principalmente de outros perdedores e comparam os maus resultados deles ao seu próprio desempenho fraco.

Os campeões estão sempre olhando para cima e criando o futuro. Olham e vêem quem está tendo bons resultados, quem está dando certo. Por isso, essas pessoas são, cada vez mais, pessoas de sucesso. E felizes.

Se olharmos as pessoas felizes, se procurarmos aprender com a vida delas, vamos encontrar essencialmente quatro pilares da felicidade. Eu os classifico assim:

1) Competência

2) Reciprocidade

3) Realização

4) Sentido


COMÉDIA & TRABALHO

"Senhor Morais, o senhor por acaso
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  * O consultor organizacional Roberto Shinyshiaki (gentedit@mandic.com.br) é autor de vários livros, entre eles A Revolução dos Campeões e O Sucesso é Ser Feliz.