Mais qualidade de vida

por

HSM Management
marco - abril 1999

  Se você é tão bem-sucedido assim, por que não está se divertindo mais? Se tem tanto controle sobre as coisas, por que seus dias são tão caóticos? Nunca é tarde para melhorar sua vida

Com toda a sinceridade, você se considera um vencedor? Antes de responder, lembre-se de duas coisas: os objetivos que alcançou e o preço pago por isso. É difícil dar-se por satisfeito com uma remuneração alta quando alguém não gosta do que faz ou das pessoas com quem trabalha. Também é duro manter um sorriso sincero quando não sobra tempo para mais nada além de trabalhar. Esta reportagem mostra como vários executivos de sucesso, e até membros do primeiro escalão do governo norte-americano, como o ex-secretário do Trabalho dos EUA Robert Reich, conseguiram dar uma virada na vida para se sentirem vencedores de verdade, mesmo pesando custo e benefício. Todos eles descobriram que manter uma vida complicada representava o medo de enfrentar mudanças, como disse a guru da "simplicidade" Elaine St. James ao jornalista Michael Warshaw, da revista Fast Company. Os livros escritos por St. James sobre o assunto são um bom termômetro de que a preocupação com a qualidade de vida entrou de vez na pauta dos executivos: já foram vendidos mais de 1,4 milhão de exemplares.
 


É difícil ficar satisfeito com o sucesso material quando você não gosta do que faz. Ou quando você gosta do trabalho mas não das pessoas com quem trabalha. Ou, ainda, quando você gosta do que faz e de seus colegas, mas gasta tantas horas com o trabalho que não sobra tempo para nada.

Não surpreende que tantos de nós nos façamos as mesmas perguntas: se eu sou tão "bem-sucedido", por que não estou me divertindo mais? Se sou tão equilibrado, por que me sinto tão descontrolado? Também não é de admirar que tantos de nós estejamos chegando à mesma conclusão: tenho de investir em minha qualidade de vida!

Há seis anos, Annette Phillips, 34 anos, resolveu cuidar melhor de sua vida. Em 1985 ela saíra de sua cidade natal, Dallas, para enfrentar os desafios de Nova York, decidida a conquistar independência financeira e realização profissional, ou seja, o sucesso. Foi estudar contabilidade e tornou-se auditora da Ernst & Young. Mergulhou no trabalho, primeiro passo para ser promovida à condição de sócia. Mas, mesmo com tudo isso, ela simplesmente não gostava do que fazia. "Eu queria mais do que ganhar dinheiro", conta Annette. "Eu queria ter alguma influência sobre a vida das pessoas da firma; melhorar a vida delas."

Mas isso significava uma mudança radical. Em 1993, portanto, Annette desistiu de buscar um lugar como sócia e foi trabalhar na área de recursos humanos. Seus colegas de trabalho a chamaram de louca -"assim você não vai adiante", diziam. Mas as opiniões não foram suficientes para que Annette mudasse de idéia. "Eu tomei uma decisão fundamental. Resolvi que não era tão importante virar sócia. Status não é tão importante quanto fazer o que se gosta", explica ela.

Hoje, como diretora de mobilidade global da Ernst & Young lnternational, Annette tem o impacto que desejava sobre a vida das pessoas. Ela ajuda os funcionários da E&Y a mudar de um escritório para outro da empresa, pelo mundo afora. E considera seu trabalho gratificante, mesmo sem chances de se tornar sócia.

Quando Bill Galston foi aproveitar mais a vida, soou o alerta em Washington. Em 1993, Galston -que hoje tem 52 anos- era catedrático da Universidade de Maryland e teve a oportunidade que sempre pediu: tornar-se assessor do presidente dos Estados Unidos em assuntos de política interna. Ele sabia o que o esperava, que a tarefa de muita responsabilidade e pressão representaria longos dias de trabalho e noites longe de casa.

Após um ano na função -e tendo se deleitado com cada momento de seu trabalho-, Galston começou a compreender o preço que estava pagando. Ele recebeu uma carta do filho Ezra, de 9 anos de idade. A carta descrevia alguns dos momentos de maior alegria de Ezra no beisebol. Momentos que eram importantes para o filho e que Galston havia perdido por causa do trabalho. "Beisebol não tem graça quando não tem ninguém para aplaudir a gente", concluía a carta.

Galston levou seis meses para reunir coragem, entrar no Salão Oval, falar com o presidente e deixar o cargo. Quatro anos mais tarde, Galston não se arrepende. Na primavera passada, ele passou várias tardes assistindo a seu filho jogar beisebol, algo que ele jamais sonharia em fazer nos dias de Casa Branca.

"Passei anos imaginando o que faria se conseguisse um emprego daqueles", diz ele, "Não se tratava de algo que eu desprezasse. Mas eu abri mão disso em favor de algo que é muito mais importante para mim. A paternidade é o prisma através do qual eu vejo o mundo. Nada é comparável."

Lição
O extraordinário dessas histórias é o fato de elas serem tão extraordinárias. Annette e Galston tiveram de renunciar ao sucesso. Enfrentaram desafios pessoais como milhões de outras pessoas, mas tomaram decisões simples para criar um novo tipo de sucesso, mais gratificante e perene. Decidiram investir na qualidade de vida, e o fizeram.

"Manter uma vida complicada é uma grande forma de evitar mudanças", afirma a guru da "simplicidade" Elaine St. James, cujos livros já venderam mais de 1,4 milhão de cópias e ajudaram a dar forma a uma tendência crescente. "Quando o nosso trabalho é tão vital que não podemos diminuir o ritmo, não temos tempo de olhar para a nossa vida: um casamento que não dá certo, uma carreira insatisfatória, filhos com os quais não se tem contato, amizades deixadas de lado. Não há nada mais 'perigoso', ou 'subversivo', do que ter um pouco de tempo à mão."

O especialista em "produtividade pessoal" David Allen, 52 anos, que orienta e treina executivos da Microsoft, da L.L. Bean, da Marinha dos EUA e de outras organizações de alto desempenho, tem uma opinião semelhante: "A mudança, mesmo aquela que vai melhorar nossa vida, causa estresse. É por isso que evitamos novas experiências e decisões difíceis. Elas estão fora da nossa zona de conforto. Nós nos sentimos confortáveis com nossos problemas".


Depoimento: Robert B. Reich
Antes: Secretário (equivalente a ministro) do Trabalho dos Estados Unidos
Depois: Professor titular de Política Social e Econômica da Brandeis University

  " Meu trabalho em Washington era emocionante. Durante quatro anos os meus dias eram divididos em segmentos de 15 a 20 minutos. Cada segmento envolvia estresse e prazer e, muitas vezes, os dois ao mesmo tempo. A adrenalina estava sempre presente, e ela vicia.

Mas você acaba percebendo o preço do vício. Certa vez, prometera aos meus dois filhos que eu estaria em casa para o jantar, mas o presidente me chamou para uma reunião. Eu liguei e disse que só chegaria em casa à meia-noite. O mais novo me disse: 'Você pode me acordar quando chegar? Eu só quero ter certeza de que você está em casa'.

Ter mais qualidade de vida significava deixar o melhor emprego que tivera até então. Poucas pessoas gostam tanto do seu trabalho a ponto de nunca se fartar e, ao mesmo tempo, gostam tanto de sua família que nunca é demais tê-la ao lado. Não existe equilíbrio possível entre trabalho e vida quando a gente nunca se farta de ambos. "
 

Se você trabalha 40 horas por semana,
50 semanas por ano, durante 50 anos, são 100 mil horas.
Quem quer gastar esse tempo num trabalho não-gratificante?
Trabalho
Em uma era em que o trabalho é mais pessoal do que nunca, ele se torna uma fonte de satisfação mais importante do que nunca. Não se trata apenas de descobrir uma verdade interior; trata-se de resolver um problema de matemática.

William B. Gartner, professor de Administração de Empresas da Marshall School of Business da University of Southern California, propõe um cálculo simples: digamos (de forma conservadora) que você trabalhe 40 horas por semana, 50 semanas por ano, durante 50 anos. No total, seriam 100 mil horas de trabalho durante toda a carreira. Será que algum de nós quer gastar 100 mil horas em um trabalho que não seja gratificante?

"Se há algo que realmente tem valor, é o tempo", diz Gartner. "Esse é um dos primeiros desafios que eu coloco para os meus alunos: 'Você tem 100 mil horas. O que é que você vai fazer com elas?' É uma limitação real que todas as pessoas enfrentam. Não o dinheiro, mas o tempo. Muita gente subestima o valor do tempo."

Ou subestima sua capacidade de mudar a forma de usar o tempo. Uma pesquisa do Wall Street Journal / ABC News mostrou que metade dos norte-americanos escolheriam outro tipo de trabalho se pudessem. Indagados sobre o que os impedia de buscar uma nova oportunidade, eles responderam: se fosse fácil, mais gente faria isso.

Para Robin Hirschberg, da Not So New Age Consulting, firma que treina e orienta executivos que querem redirecionar a carreira, as pessoas tendem a confundir seu objetivo (o que é que eu gosto de fazer?), seus ideais (qual o tipo de comportamento que me faz sentir bem?) e os resultados desejados (o que eu posso alcançar?). "Se você desatar os nós dessas perguntas e comparar as respostas com os seus talentos e habilidades naturais, você começará a trilhar o caminho do sucesso. É preciso experimentar um pouco", afirma.

Deborah Lee, psicóloga social de São Francisco, autora do livro Having It All / Having Enough (ed. Amacom), é menos complacente: "Muitas pessoas não querem simplesmente sentar e olhar para si próprias nos olhos porque se sentirão obrigadas a fazer alguma coisa a respeito do que aprenderam. E isso pode ser muito assustador". O conselheiro de carreira Bob McDonald, de Atlanta, é mais duro ainda: "As pessoas têm mais opções do que acham que têm. Mas a maioria gasta mais tempo planejando as férias do que pensando o que quer fazer com a própria vida".
"Ainda busco o sucesso, mas de um tipo diferente,
que inclui meu marido, meus filhos e a comunidade"
Johanne Gallanter
Depoimento: Johanne Gallanter
Antes: Diretora de novos produtos da Danon Co.
Depois: Fundadora e presidente do Venture Strategy Group

  " Os meus primeiros passos em direção à carreira foram na pista de alta velocidade. Consegui um ótimo emprego em uma grande empresa quando estava na casa dos 20. Planejava me mudar para a sede da empresa, na França, quando me casei com o vice-presidente de vendas e tive um filho. Foram-se por água abaixo os planos a respeito da França. Em vez disso, fiz meu MBA em um ano e meio.

Fazia tudo como se estivesse em uma corrida. Meu marido me pediu que encontrasse um trabalho que me permitisse passar mais tempo com nosso filho. Concordei e, um mês depois, ele me deixou. Era a primeira vez que alguma coisa saía errado na minha vida. Isso me forçou a perguntar para mim mesma: para que essa corrida? O que é que eu estou tentando ganhar?

Mais tarde, casei-me novamente, mudei-me para São Francisco e tive outro filho. Em 1996, fundei o Venture Strategy Group. Investimos em empresas varejistas de produtos especiais e de comércio eletrônico. Ainda busco o sucesso, mas um tipo diferente de sucesso, que inclui meu marido, meus filhos e o serviço que presto à comunidade. "
 


Vocação
Disso ninguém pode acusar Larry Smith, 62, professor de Administração Pública da John F Kennedy School of Government da Harvard University. Smith teve uma carreira brilhante e de ampla abrangência. Foi assessor de dois secretários de Defesa e do presidente do Comitê das Forças Armadas da Câmara. Comandou campanhas políticas e ajudou a planejar a campanha de Gary Hart para a Presidência em 1984. Foi professor universitário e pintor de paredes.

"Cada um de nós tem uma queda especial", diz ele. "Uma queda pelo tipo de trabalho que queremos fazer, o tipo de trabalho que nos faz orgulhosos. Porém, saber qual é essa queda exige um profundo autoconhecimento. Começamos examinando um tipo de trabalho que nos atrai. Tentamos, avaliamos a experiência e nos desenvolvemos à medida que descobrimos mais a seu respeito. Acho que esse processo é um autoquestionamento constante. Você está trabalhando em um modelo mental de si próprio, sempre."

Algumas vezes a resposta está "na cara", literalmente. No começo da sua carreira na Ernst & Young, Annette Phillips estava conversando com um funcionário do departamento de recursos humanos quando teve de enfrentar a pior pergunta da entrevista: o que é que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos? A resposta mais sincera (que ela não deu) seria a seguinte: "Eu gostaria de fazer o que você está fazendo".

Na verdade, foram precisos cinco anos para que Annette deixasse a sua carreira inicial e tomasse um caminho mais recompensador, onde ela está agora. Ela estava próximo das pessoas de recursos humanos e o tempo todo dava dicas de que gostava do que via naquele departamento. Aí surgiu a oportunidade que ela estava esperando. O departamento precisava de um substituto para um funcionário que tinha de fazer unia viagem de recrutamento muito importante, mas ficara doente. Phillips se ofereceu e teve um ótimo desempenho. Foi mandada em outras viagens de recrutamento e, depois de algum tempo, todos sabiam que ela tinha chance de ser uma estrela de RH. "Hoje consigo conciliar o que eu quero fazer com o que sei fazer", diz Phillips.
Infelizmente a maioria das pessoas não encontra respostas tão facilmente. Então, o que fazer? Um jeito é ouvir as pessoas que o conhecem melhor. Foi isso que Don Hutcheson fez, há oito anos.

Ele dirigia uma agência de propaganda com faturamento de US$ 60 milhões e desfrutava o sucesso profissional que tinha almejado durante toda a carreira.

"Eu me sentia um privilegiado", diz ele. "Sempre fiz o que achava ser melhor para mim e tinha conseguido chegar aonde eu queria. Mas quando me vi lá, não me senti tão bem assim."

Hutcheson, hoje com 51 anos, não gostava de seu trabalho tanto quanto imaginara que gostaria. Lançou-se numa avaliação pessoal para repensar suas prioridades e deu a ela um nome: Projeto Nova Visão. Em primeiro lugar, ele questionou a si mesmo. Colocou no papel uma série de parâmetros pessoais: 11 características que descreviam o tipo de trabalho que ele queria fazer. "Eu queria um empreendimento em que não tivesse de fazer contato com os clientes o tempo todo. Queria trabalhar com pessoas realmente inteligentes. E queria que o meu trabalho servisse para empregar um pouco do que eu havia aprendido, que tornasse o mundo um pouco melhor", conta Hutcheson.

Depois, Hutcheson convidou alguns amigos mais próximos para uma série de jantares. Pediu-lhes que o ajudassem a sintonizar melhor seus objetivos. "Eu queria ter feedback de pessoas que gostavam de mim", diz ele. "Eu já tinha uma perspectiva interna. Queria, agora, um ponto de vista externo."

Para Deborah Lee, "é muito importante falar com outras pessoas". Segundo ela, é a única maneira de descobrir quais questões são internas e quais as influências e distrações à sua volta que dificultam a percepção do que você realmente quer. E é ótimo descobrir que outras pessoas compartilham algumas de suas preocupações.

Um dos amigos que Hutcheson envolveu em seu projeto foi o psicólogo e conselheiro Bob McDonald. E os dois acabaram fundando o Highlands Program, com sede em Atlanta. Trata-se de um serviço de aconselhamento de carreira que ajuda as pessoas a descobrir o que querem fazer da vida. "Sem uma visão pessoal, não há direcionamento", diz Hutcheson. "Você segue o rebanho. E talvez só descubra que o rebanho o está levando para um precipício quando já é tarde demais."


Colegas
Talvez o problema não seja o que você está fazendo, mas com quem está trabalhando. "Muitas vezes as pessoas ignoram o ambiente em que estão", diz Deborah Lee. "As pessoas dizem para si mesmas: 'Se eu conseguisse me organizar melhor e se eu conseguisse um equilíbrio entre o trabalho e a casa, eu me sentiria melhor'. Mas você não pode ignorar as pessoas à sua volta. Além de não controlarmos o comportamento das outras pessoas, não controlamos nossas respostas emocionais a tais comportamentos. Se você quiser ter mais satisfação no trabalho, terá de estabelecer um melhor relacionamento com as pessoas com que trabalha."

É mais do que um chefe arrogante ou um colega falso. Trata-se de algo mais profundo: você escolheria a empresa para trabalhar ou o projeto para se envolver baseado nas pessoas com que você terá de conviver? Você teria coragem de recusar uma boa proposta se isso significasse trabalhar com "idiotas"? Na opinião de Larry Smith, é impossível dizer que uma tarefa é satisfatória sem levar em consideração as pessoas envolvidas. "Uma grande parte do sucesso depende da equipe. Qualquer tarefa que seja gratificante exige parceria com outra pessoa. É por isso que eu estabeleço parâmetros para decidir com quem trabalhar. Não se trata de arrogância. É segurança. Se você encontrou algo que adora fazer, você é bom nisso. E se você é bom no que faz, você tem liberdade de decidir com quem quer trabalhar."David Nadler, do Delta Group,
projetou uma nova estrutura e
começou a trabalhar menos.
Equilíbrio significa dizer não
Muito trabalho
Você pode gostar de seu trabalho. Você pode respeitar as pessoas com que trabalha. Mas, mesmo assim, o excesso de trabalho nunca é bom. Por isso mesmo, várias figuras públicas de peso alertaram recentemente para os riscos desse tipo de atitude: o especialista em RH e gerenciamento de tempo Stephen Covey, o guru de sucesso pessoal Tony Robbins, o presidente Bill Clin'ton, a primeira-dama Hillary Rodham Clinton -enfim, a lista é enorme. Se tantas pessoas criticam o excesso de trabalho, por que tão poucos de nós damos ouvido? Porque somos incapazes de dizer não, principalmente para o trabalho.

Foi isso que David Nadler percebeu há sete anos. Nadler, 49 anos, criou o Delta Consulting Group, em 1980, e hoje é um dos consultores de administração mais influentes do mundo. Escreveu ou organizou mais de uma dúzia de livros a respeito de negócios e mudanças. A revista Business Week chegou a dizer que Nadler era um dos novos gurus da administração.

Nadler entende que o sucesso tem seu preço. "Criar uma empresa é um processo que nos consome totalmente", diz ele. "Além de você estar sempre trabalhando, sente-se culpado quando não está." Mas, à medida que Nadler alcançou mais sucesso, o preço foi aumentando. Ele construiu uma empresa próspera em detrimento de virtualmente todas as outras atividades e passou por dois divórcios. "Eu gosto do trabalho que faço", diz Nadler. "Gosto dos clientes com que trabalho. Mas, aos poucos, percebi que tinha de dar um pouco de equilíbrio à minha vida."

Equilíbrio significa dizer não. Primeiro Nadler projetou uma nova estrutura de gerenciamento no Delta, que fez com que a empresa ficasse menos dependente dele. Em seguida começou a trabalhar menos. "Percebi que uma diferença de 10% na quantidade de trabalho não significaria a diferença entre o sucesso e o fracasso", diz ele. Na verdade, Nadler agora diz "não" pelo menos oito semanas de cada 52: "Eu me sento, no início do ano, e separo oito ou nove semanas para passar fora do escritório".

Nadler compreendeu que existe uma diferença entre mudar de postura em relação ao trabalho e mudar de personalidade. Ele é uma pessoa que "se deixa levar" e ainda se permite isso, mas agora não apenas pelo trabalho, também pelos esportes náuticos, sua mais nova paixão. Assim como no trabalho, ele se propôs alcançar o sucesso na nova atividade.

Converse com Nadler sobre o tempo que ele passa fora da empresa e você não verá arrependimento. O mesmo acontece com Bill Galston, ex-assessor de Clinton, cujo sacrifício profissional foi ainda mais dramático. Galston estava no auge da carreira. Tinha uma enorme influência sobre a política interna do país quando resolveu se afastar. "Se tivesse permanecido naquela função por mais algum tempo, enquanto meu filho se tornava adolescente, eu teria perdido alguns anos muito importantes de convívio com ele. Eu disse ao presidente que ele poderia me substituir, mas não a meu filho", conta.

E isso, diz o professor William Gartner da University of Southern California, é ter mais qualidade de vida: "Uma das grandes mentiras da sociedade é que o trabalho pode ser tão grande quanto as pessoas que o fazem. Não é verdade. As equipes nunca serão tão grandes quanto nossa família. Os colegas de trabalho nunca terão o mesmo espaço de nossos amigos. As empresas nunca serão tão ricas e maravilhosas quanto as pessoas que nelas trabalham. Nós somos maiores do que as empresas. Com certeza somos".
Fast Company

a Quando melhorar significa se sentir pior
Você se sente bem-sucedido?

A resposta a essa pergunta implica avaliar o que você conquistou, o preço que pagou e a relação entre os dois. A vida de muitas pessoas parece fora de controle porque o custo de seu sucesso é alto demais. Elas fazem o que não gostam, ao lado de pessoas de quem não gostam e, pior, não fazem outra coisa que não trabalhar.

Victoria Husted Medvec, professora de Comportamento Organizacional da Kellogg Graduate School of Management da Northwestern University, situada perto de Chicago, aborda a outra metade da equação: por que tantas pessoas se sentem insatisfeitas não com o preço que pagaram, mas com o resultado alcançado? "A maioria das pessoas parte do princípio de que quanto mais elas conquistarem mais felizes serão", diz Medvec. "Nem sempre isso acontece. As pessoas determinam seu grau de satisfação por meio de comparações. E as pessoas voltadas para a conquista tendem a fazer comparações unilaterais, do tipo: como eu poderia ter-me dado melhor?"

Medvec e seus colegas estudaram a reação de atletas norte-americanos às medalhas que ganharam nas Olimpíadas. Os que conseguiram medalhas de prata estavam menos satisfeitos do que os que ganharam medalhas de bronze. Ou seja, ter um melhor desempenho significava sentir-se pior. "Quem consegue prata pensa que poderia ter sido melhor. Quem ganha o bronze pensa na sorte que teve em conseguir uma medalha", diz a professora.