Cliente feliz
é cliente fiel?
por Catherine
Romano
HSM Management
3 julho - agosto 1997
| Qual seria a reação de seus clientes se um produto semelhante ao seu aparecesse no mercado com um preço mais baixo? |
| Seus clientes estão satisfeitos?
Provavelmente você responderá que sim, afinal, "se
eles são meus clientes, devem gostar do meu
produto". Você é capaz de prever como seus
clientes reagiriam se um produto semelhante fosse
lançado a um preço mais baixo? Quantos dos seus
"clientes fiéis" já se bandearam para o seu
concorrente? A maioria das empresas acha que sabe como
seus clientes pensam. Afinal, são feitos levantamentos
anuais, as chamadas para seu serviço de atendimento a
clientes são monitoradas e sua empresa está perto de
atingir meta de resolver os problemas dos clientes já no
primeiro telefonema. Quando as empresas observaram o furor causado pelos serviços de primeira linha prestados por companhias como Disney e L.L.Bean, deram início a uma verdadeira corrida para demonstrar que também ofereciam serviços de alta qualidade. Qualidade e serviço de bom nível ao cliente passaram a ser o preço pago para entrar no jogo. Todas essas empresas vinham trabalhando com base na premissa errada de que clientes felizes são clientes fiéis. Agora, começam a perceber que os clientes podem até se dizer satisfeitos, mas as respostas reveladas nos levantamentos não permitem aferir com precisão seu grau de fidelidade. Estima-se que entre 65% e 85% dos clientes que mudaram de fornecedor chegaram a afirmar estarem satisfeitos com o fornecedor anterior. Podem estar contentes, mas não acreditam que você esteja lhes fornecendo a melhor relação custo-benefício possível. Ao surgir um negócio melhor, mudaram de fornecedor. A troca de fornecedor pode representar um sério problema para as empresas, uma vez que é muito mais caro conquistar um novo cliente do que manter um cliente fiel. Mas a surpresa de empresas que seguiram esta lógica é que apesar de todos os esforços, o grau de satisfação do cliente não influenciou muito os resultados obtidos pela empresa. Existem exemplos de empresas ganhadoras do Prêmio de Qualidade Malcolm Baldrige que enfrentaram dificuldades, em parte por se concentrarem demais na prestação de serviços e não darem a devida atenção a outras áreas estratégicas. "Muitas empresas acreditam, erroneamente, que existe uma correlação entre o grau de satisfação declarado pelo cliente e os resultados de vendas", diz Joseph O'Leary, sócio da Andersen Consulting. Os bons velhos tempos? Boa parte da culpa de tudo isso cabe às primeiras práticas de serviço ao cliente. Os esforços iniciais foram poucos sofisticados, não eram integrados nem diferenciados. O foco inicial foi a satisfação e não as conseqüências da satisfação do cliente. Nunca houve uma pesquisa completa da satisfação do cliente. Ë difícil avaliar com segurança o que os concorrentes estão fazendo ou por que uma empresa perde clientes. A gerências aceitavam as respostas dos clientes aos questionários de pesquisa de satisfação, na certeza de que os clientes forneceriam, com toda a sinceridade, uma orientação válida para produtos e serviços. Não se preocupavam em determinar, por exemplo, o efeito das preferências dos clientes sobre o ROI (retorno sobre o investimento). Aparentemente o simples fato de fazer perguntas aos clientes era suficiente. Não era possível estabelecer uma relação entre as notas recebidas e o desempenho da empresa. O pensamento dominante era o de que qualquer ganho em termos de satisfação dos clientes seria positivo e não havia dúvidas sobre a existência de um nível ótimo. Na verdade, alcançar este nível significava encontrar o equilíbrio entre os esforços relacionados com o serviço prestado e a reação dos clientes. A maioria das empresas tentou isso e os resultados, na melhor das hipótese, foram fracos. O centro de atendimento telefônico, normalmente funciona como uma câmara de compensação para perguntas e queixas dos consumidores, constituindo-se em um importante aspecto do programa de satisfação do cliente. Mas a empresa tende a considerar o atendimento telefônico como sendo suficientemente poderoso para ser a única medida a ser tomada. O atendimento telefônico é uma medida reativa que, por sua própria natureza, só lida com os problemas depois do fato consumado. Existe uma tendência de se atribuir os mesmos gostos e preferências a todos os clientes, com as empresas buscando oferecer o mesmo nível de serviço a todos os clientes, independentemente do valor econômico que possam ter para a companhia. Esta estratégia não contribui para a rentabilidade da empresa: ela gasta muito tempo dando a alguns clientes mais do que o necessário e não despende energia suficiente para atender a outros grupos de clientes. Entre os primeiros adeptos dos serviços de atendimento ao cliente, a idéia de diferenciação dos serviços era uma profanação de suas crenças filosóficas. Na verdade é difícil precisar qual é a mudança de mentalidade necessária para transformar a empresa com cultura do serviço de atendimento ao cliente numa empresa que não apenas satisfaz os consumidores mas também alcança um determinado nível de rentabilidade. Para aumentar ainda mais as dificuldades inerentes aos programas de satisfação dos clientes, as empresas estão vendo suas velhas e confiáveis formas de competição encolher. A preocupação com a satisfação do cliente deixou de ser uma vantagem competitiva já que outras empresas passaram a oferecer os mesmos serviços. Ou seja, passou a ser o mínimo que os clientes esperam receber. Preço Certo Outro alicerce da vantagem competitiva, o preço,
também está desaparecendo. Os adeptos dos descontos
estão, aparentemente, ganhando a batalha contra os que
preferem vender pelo preço mais alto. Há cada vez mais
compradores que escolhem os produtos com base no preço:
quanto menor, melhor. Por exemplo, a guerra entre
companhias telefônicas nos EUA que prestam serviços de
longa distância está sendo travada apenas por aquelas
que oferecem o melhor serviço pelo menor preço, e não
apenas o melhor serviço. Sempre haverá clientes
dispostos a pagar o preço mais alto, mas esses
consumidores esperam um nível mais elevado de serviço
como retorno de seu investimento. Mas esse grupo é
minoria. Em geral, os consumidores acreditam que todos os
produtos de categoria semelhante têm qualidade
semelhante e, consequentemente, não vêem sentido em
pagar um preço mais alto por ele. Arthur Middlebrooks,
da Kuczmarkis & Associates, chama a isso de
"Síndrome das commodities"
O preço de um bom serviço Se oferecer um serviço de boa qualidade soa como algo de custo elevado, o fornecimento de níveis diferenciados de serviço parece ainda mais caro. No entanto, é o tipo de pensamento que precisa ser banido das empresas para que elas continuem a ter lucros ao mesmo tempo que satisfazem os clientes. As empresas precisam abandonar a idéia de que os serviços são geradores de custo. O serviço é um importante gerador de receita. O atendimento telefônico, por exemplo, cria imensas oportunidades, com a possibilidade de comercializar pacotes de produtos e fazer vendas cruzadas. Olhar para a frente É muito comum as empresas concentrarem o esforço de satisfação do cliente na recuperação dos consumidores que a abandonaram. Embora seja um aspecto importante, lembra a situação de alguém que dirige apenas olhando para o espelho retrovisor. É mais importante medir o sucesso pelo número de clientes que evitamos que nos abandonem do que por aqueles que conseguimos trazer de volta. Efetivamente, em 65% a 70% dos contatos entre a empresa e seus clientes, há um certo patamar mínimo esperado de satisfação. Ultrapassar esse nível não traz muito benefícios em termos de fidelidade. Nos casos restantes - em que há necessidade de resolver algum problema -, se as expectativas forem excedidas, a companhia poderá ter conquistado a fidelidade do cliente. Nos momentos em que há problemas e as expectativas dos clientes estão indefinidas, aumenta a possibilidade de conquistar fidelidade. Alcançar a satisfação do cliente e garantir sua fidelidade passa por adaptar produtos e serviços ao mercado, para que todo o processo esteja diretamente relacionado à rentabilidade. "Veremos companhias prestando serviços destinados a fazer o cliente sorrir, assim como os acionistas", resume O'Leary. |