As razões que levam à liderança global

por Joseph T Plummer Revista Marketing Industrial
n 10 - setembro/98

  Nem todas as marcas são criadas ou geridas da mesma forma. Enquanto algumas nascem para liderar, outras tornam-se líderes à medida que crescem. Foi esta premissa que nos levou a dar início a um intenso programa de investigação, destinado a estudar a liderança das marcas.



Para além das óbvias medidas empresariais da liderança, pretendíamos descobrir se os consumidores percebiam determinadas marcas como líderes e o que os levava a tal percepção.


Diferenças de Construção do Valor das Marcas
Pretendíamos saber se as marcas de grande sucesso construíam o valor da marca de modo diferente dos seus concorrentes. As fases iniciais da investigação nos Estados Unidos demonstraram claramente que os consumidores compreendiam o conceito de liderança de marca e que, em muitas categorias, uma maioria de consumidores indicava espontaneamente um só líder, quando se lhes pedia que completassem a frase: "Quem é o líder em... ?"

Antes de efetuarmos o estudo, pensávamos que as razões que levavam determinadas marcas a serem consideradas líderes talvez se relacionassem com fatias de mercado e com crescimento. No entanto, os consumidores deram-nos a entender, pelas respostas, que liderança tem a ver com a capacidade de ser o melhor e não com a de ser o maior. Apesar de se poder ser admirado pelo que se alcança, os consumidores consideram alguém líder se esse alguém demonstrar beneficiá-los, de forma continuada, com o seu desempenho e sua comunicação. Os benefícios que os consumidores entendem estar ligados à utilização de marcas líderes são os classicamente associados à criação de marcas, designadamente: confiança, disponibilidade, valor e vontade de defender a marca.

O que consideramos ser mais interessante, no entanto, foram os dados que sugeriam um beneficio mais pessoal, uma ligação emocional com essa marca ou a forma como ela se refletia nos consumidores. Isso levou-nos a especular sobre o seguinte:

Pesquisas realizadas de 1994 a 1996 em vinte mercados de todo o mundo, na Europa, América Latina e Ásia, revelaram a existência, aos olhos dos consumidores, de marcas globais: Coca-Cola, Kodak, Sony, Philips e McDonald's.

Enquanto prosseguíamos, fomos descobrindo as formas como as marcas líderes construíam a percepção dessa liderança junto ao público. No centro dessa percepção, estava o fato delas se ligarem, em algum nível fundamental, a pessoas de diferentes níveis etários, categorias de rendimentos, padrões de utilização e - de forma ainda mais crítica na idade da globalização - culturas.

Tornou-se claro que esse nível fundamental de ligação correspondia a alguma necessidade humana universal.


Que Necessidades Universais e de Sobrevivência?
Uma análise da literatura Psicológica relacionada permitiu desvendar um conjunto limitado de necessidades universais, além das necessidades de sobrevivência. As marcas líderes que obtinham sucesso em uma escala global pareciam ligar-se a uma destas quatro necessidades básicas: ser, pertencer, fazer e crescer.

A necessidade de ser centra-se na questão fundamental:
"Quem sou eu?" As marcas líderes que se ligam consistentemente a esta necessidade, chamamos Líderes de Identidade, já que desenham uma imagem do utilizador. A nossa resposta à comunicação dos líderes de identidade é: "Sou eu mesmo." Ou: "Sinto-me assim mesmo."


A necessidade de pertencer relaciona-se com, a necessidade de fazer parte de algo maior do que nós mesmos ou a nossa família; talvez uma comunidade, um local, um sonho ou um conjunto de valores ideais. As marcas líderes nos ligam a um mundo maior do que nós mesmos ao desenhar um universo simbólico do qual passamos a fazer parte momentaneamente por meio da utilização da marca. Podemos chamá-las de Marcas Ícones, uma vez que a sua natureza simbólica representa algo de poderoso.


A necessidade de fazer relaciona-se com a necessidade de cumprir tarefas. No início da vida, trata-se de andar, falar e ler; mais tarde, consiste em resolver problemas. As marcas líderes em nível global que se ligam a essa necessidade de fazer chamam-se Marcas de Poder, uma vez que fornecem o poder necessário para cumprir a tarefa de forma perfeita.


Por fim, há os líderes globais que se ligam à necessidade universal de crescer, aprender, melhorar. Contrariamente às Marcas de Poder, que fornecem a solução para um problema específico, as Marcas Exploradoras dão-nos capacidade para nos tornarmos melhores.

É, claramente, uma ligação poderosa a essa necessidade universal de crescer. Esses quatro tipos de marcas líderes no plano global valorizam-se face a seus consumidores, ao ligarem-se consecutivamente, na sua comunicação, com uma destas quatro necessidades universais: os líderes de identidade ligam-se à necessidade de ser; os líderes ícones ligam-se à necessidade de pertencer; os líderes de poder geram valor ao resolver problemas diretamente relacionados com a necessidade de fazer (realizar tarefas específicas); as marcas exploradoras ligam-se à necessidade de crescer de modo que ultrapasse o presente estado físico, intelectual ou emocional.


Liderança Global: os Eixos do Valor
Durante os últimos três anos, trabalhamos com empresas na criação da sua visão de um valor de marca para a liderança e descobrimos que essa matriz estratégica constitui um ponto de partida útil para o diálogo. Os dois eixos representam os dois componentes do valor da liderança global. O primeiro eixo, na direção norte-sul, representa a natureza da ligação a uma necessidade universal. As duas necessidades emocionais são ser e pertencer e a elas ligam-se consistentemente os líderes de identidade e os líderes ícones. Em contraste, os líderes de poder e os líderes exploradores ligam-se às necessidades de desempenho de fazer e crescer.

O segundo eixo representa a natureza primeira do contexto de comunicação dos líderes de marca. A representação dos utilizadores dos líderes de identidade centram-se em verdadeiros sentimentos, locais e individuais mesmo que o seu espírito seja representativo de uma aspiração ou humorístico. Os líderes de poder resolvem problemas reais, utilizam demonstrações literais extraídas da própria vida e, muitas vezes, benefícios tangíveis e mensuráveis. Os ícones e os exploradores fazem uso mais freqüente de uma comunicação simbólica, quer seja nas histórias narradas pela Coca-Cola, Disney, McDonald's ou IBM, quer nas imagens poéticas, como as da Nike, Microsoft ou Evian.

O mapa estratégico permite-nos um ponto de partida para a concepção de uma visão por meio das seguintes interrogações:

Como se imagina, poderá tratar-se de uma troca mútua altamente espirituosa e dinâmica. Por vezes, atinge-se facilmente o consenso. Não poucas vezes, demora um pouco até que se atinja uma determinação final. Para essa deliberação, revelam-se úteis os princípios para cada tipo de valor que desenvolvemos, ao assinalarmos os níveis de cada tipo bem sucedido de valorização de marca. Apesar de esses tipos se limitarem a representar práticas importantes e análises dos seus esforços de marketing, por comparação com os dos seus principais concorrentes, constituem linhas-guia estratégicas de grande utilidade, uma vez que cada marca é realmente única.

Quando comparamos, por exemplo, a McDonald's e a Burger King, compreendemos que a primeira promove os seus bons postos de trabalho (como os Mcjobs e Ronald McDonald House), participa em grandes eventos globais (como os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol) e constrói a sua cultura de empresa em torno de histórias sobre o fundador (Ray Krock) e o seu centro de treino global (a Hamburger University).

Potencialmente, a mais poderosa ferramenta para determinar a visão de valor da marca reside na percepção do consumidor. Estamos num processo de avaliar escalas perceptíveis e um mapa algorítmico que podem constituir a fundação da participação dos consumidores nessa interessante questão da visão do valor das marcas. Vejamos alguns exemplos das escalas que usamos nos nossos esforços de avaliação. Onde pretende situar-se, no século XXI? Esta pergunta tornou-se uma interrogação crítica do planejamento estratégico para todos os que aspiram construir ou criar marcas globais (essa é a pergunta que mantêm os gestores acordados toda a noite). De que forma pretende ligar-se aos consumidores? O propósito da apresentação em apreço foi o de sugerir que essa pergunta constitui um componente muito produtivo da resposta à questão maior sobre uma visão global.

Esperamos que este modelo de valor global de marcas se revele útil a muitos de vocês, na procura da construção de uma marca global bem sucedida.

  Porque é que os
líderes são líderes?
 
  A liderança é uma questão de se ser o melhor (não o maior) na mente do consumidor  
  Confiança na marca 81%
  Melhor serviço 68%
  Qualidade superior 73%
  Maiores vendas 59%

 

Mapa de avaliação de
Marcas Globais

Emoção


Líderes de identidade
"Isto sou eu"
Os líderes de identidade focam-se na
imagem dos utilizadores, tal como as
seguintes marcas: Pepsi, Philishave,
Swatch, American Express, Levi's, BMW


Literal

Marcas ícone
"Isto é o que eu preciso"
Parecem terra-a-terra, no entanto, ligam os
consumidores a um mundo para lá deles próprios.
Celebram a forma como se adaptam à vida
das pessoas ("Ajudam-me a fazer parte de um
mundo maior'). Criar com sucesso um mundo
simbólico ("eu gostaria de partilhar
emocionalmente") a partir de históriasSimbólico

Marcas de poder
"Quero fazer parte disso"
O contato foca-se na demonstração
dos benefícios.
A publicidade usa normalmente uma
abordagem de problema-solução

Marcas exploradoras
"Isto é possível"
Vai de encontro ao desejo de uma
pessoa crescer, aprender e testar
possibilidades ("Como posso melhorar?").
A publicidade oferece um convite para
explorar uma aspiração possível, sem
uma promessa concreta de performance

Performance