MEDITAÇÃO NAS EMPRESAS
Satisfação
garantida e o seu dinheiro de volta
por João Andrada (*)
Meditar era, entre nós, até bem recentemente, uma prática exótica, ligada a "uma gente" de estranhos hábitos esotéricos, voltada para as tradições orientais. Não se conhecia até então a possibilidade do seu uso rotineiro no mundo ocidental, à maneira ocidental, desvinculada de ligações místicas ou religiosas. Muito menos se esperava, que a prática da meditação tivesse um lugar de destaque como tratamento médico, e muito menos ainda que encontrasse receptividade no mundo dos negócios, das grandes empresas e corporações. Mas é isso mesmo que está acontecendo. A prática da meditação, de se lidar com a energia e desenvolvê-la, se apresenta como uma alternativa concreta e uma excepcional solução para o "mal" do fim do século - o estresse - decorrente das excessivas exigências, orgânicas e psicológicas, a que o homem está submetido e ao afastamento da sua própria natureza, de si mesmo.
Hoje, uma parcela considerável dos enormes recursos para pesquisa da comunidade científica americana está indo para estudos nessa área: a influência dos estados emocionais e atitudes mentais sôbre a saúde e sôbre o desempenho pessoal, e do uso da meditação e técnicas de relaxamento para o controle de sintomas e para o desenvolvimento das potencialidades individuais. Existe atualmente uma extensa literatura técnica disponível, e grandes estudos prospectivos estão em andamento, indicando resultados promissores.
Mas não é apenas o meio científico que está se dedicando ao assunto; esse interesse é popular. Nas livrarias, nas estantes dos livros de auto-ajuda, que ocupam cada vez mais espaço, vários tratam do assunto; as pessoas de uma maneira geral estão se identificando com as propostas de meditação desses livros, e tentando praticá-las. Foi essa tendência que pressionou tanto os cientistas como as empresas a voltarem suas atenções para o tema e que nele investissem esforços e dinheiro. E a prática confirma em ambos os casos - nos estudos científicos e no seu uso nas empresas- o que já se supunha: a meditação é benéfica para a saúde física, e para a saúde mental e emocional.
Há atualmente nas empresas, uma crescente preocupação com seus funcionários. Uma visão mais humana das parcerias no trabalho, uma atenção especial e um cuidado com a satisfação dessas pessoas nos empregos, na execução das suas tarefas. As empresas parecem ter compreendido a importância dos recursos humanos e o peso que eles tem no cenário econômico em que atuam: competitividade, agilidade, rapidez, antecipação, produtividade são exigências a serem atendidas sob pena de exclusão, de marginalização nesse cenário. As empresas perceberam que seu maior patrimônio são as pessoas que trabalham com elas e para elas. Perceberam também que apenas a capacitação intelectual de seus quadros não basta. Cursos, muitos podem fazê-los, porém a aplicação desse conhecimento, de uma forma destacada nem todos. Mas quem são aqueles que podem e conseguem se destacar?
A psicologia comportamental tem feito muitos estudos nesse campo, que de uma maneira quase unânime apontam a resposta: o diferencial é o preparo emocional, é a habilidade emocional de lidar com as dificuldades internas e externas - pessoais e profissionais -, de gerenciar situações extremas nessas áreas.
É aí, evidentemente, que a prática da meditação e o desenvolvimento da energia, que quer dizer dos potenciais individuais, da expressão livre e criativa desses potenciais, ganha corpo e uma reconhecida importância. Ela dá às pessoas a possibilidade de atingir o melhor de si.
Meditar proprociona uma redução no nível do estresse, patamares variados de relaxamento, diminuição dos conflitos emocionais e das atitudes mentais prejudiciais, maior poder de focalização e de análise de situações, maior capacidade de auto-avaliação e de percepção das competências e talentos. Cria um ambiente favorável ao convívio, à reflexão, ao conhecimento de si mesmo. Traz calma e paciência. Meditar traz indiscutivelmente, qualidade de vida.
A esmagadora maioria das pessoas que trabalha em empresas passa a maior parte do seu dia, ou do tempo de suas vidas, nelas. Parece então bastante óbvio que haja nessas empresas "espaço" para se realizar práticas como a meditação. É praticamente impossível, para pessoas que trabalham frequentemente 10 ou mais horas por dia, ter tempo e disposição para mais essa atividade adicional. Mesmo sabendo que pode ser bastante bom para elas.
Meditar é um investimento por parte das empresas, tão ou mais importante que a capacitação intelectual. Mesmo porque, em condições emocionais minimamente satisfatórias, faz-se tudo melhor; aprende-se melhor, vive-se melhor. O que não se conseguiria então, em condições mentais e emocionais ótimas?
Meditar é um investimento primordial e o negócio ideal: as duas partes ficam satisfeitas, todo mundo sai ganhando. O retorno é evidente, e quem investir, verá.
O trabalho de meditação e desenvolvimento da energia é satisfação garantida e o seu dinheiro de volta.
(*) Sobre o
autor: João Andrada, médico e especialista em
melhoria de qualidade de vida, técnicas de anti-stress e meditação.
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