A Gestão do Conhecimento e seu Impacto na Performance Empresarial

Por Renilda Ouro de Almeida

Publicado na revista T&D, Agosto de 2000, Ano VIII Edição 92

 

 

Viabilizar iniciativas de sucesso está diretamente relacionado com as oportunidades que uma empresa dá para que os "talentos invisíveis" venham à tona, ou seja, para que o potencial "sem uso", que reside dentro dela seja ativado e colocado à disposição. Transformar conhecimento tácito em conhecimento explícito, utilizando aqui um dos conceitos da gestão do conhecimento, é muito mais efetivo para o sucesso empresarial do que garantir a modernidade de sistemas que, por serem copiáveis e disponíveis a todos, estão se caracterizando como commodities.

Segundo dados atuais, as empresas brasileiras têm uma perda em torno de, pelo menos, 15% de eficiência, ou seja, ganhos não realizados em função da organização dos processos produtivos e seu gerenciamento. É tão verdade quanto se considerarmos níveis de desperdício, propriamente ditos, e despesas, assim definidas, quando investimentos não retornam sob a forma de ganhos que agregam valor ao capital econômico ou intelectual da empresa.

  Mesmo se tratando daquilo que poderia ser caracterizado como básico, na maioria das empresas o processo empresarial sequer é conhecido por todos: projetos, atividades e tarefas são realizados sem referência ao seu significado para o todo; competências individuais existem, e não estão mapeadas, bloqueando as possibilidades da construção da competência coletiva. E se performance empresarial é o resultado da combinação desses elementos, há de se convir que muito há a fazer para a melhoria do desempenho empresarial.

Empresas investem em tecnologia, sistemas, desenvolvimento de pessoas, sempre numa expectativa de ganhos cujos resultados sempre ficam aquém do seu potencial, que, à maioria das vezes, também não é conhecido. Independentemente do processo que se poderia analisar, é o aspecto humano que faz a diferença: a distribuição, inserida no negócio logística, por mais eficiente que seja, se não houver a compreensão, por parte das pessoas envolvidas, do "todo organizacional e do impacto que a ação de cada um causa nesse todo, agregado à verdadeira consciência sobre isso (que enfim, é o que faz as mudanças acontecerem)", com certeza estar-se-á falando de mais um processo implementado muito abaixo do seu potencial.

É preciso quebrar o paradigma de que tecnologias e métodos eficientes aplicados, sejam eles relacionados a processos de produção ou a sistemas de recompensas de pessoas, ou um bom treinamento, por si só bastam.: Não bastam!

 Um processo de melhoria empresarial requer a compreensão do contexto e de tudo aquilo que se passa na interação entre as partes do sistema organizacional, assim como a sensibilidade para inventariar os custos invisíveis que estão presentes nos:

  1. Desconhecimento das competências existentes e das necessárias;
  2. Baixa motivação pela pouca compreensão da contribuição de cada atividade para o propósito empresarial;
  3. Baixa consciência sobre o papel dos empreendedores e lideranças no mercado competitivo e na prosperidade (para não dizer sobrevivência);
  4. Níveis deficientes de compreensão sobre o negócio e seus fatores de sucesso;
  5. Baixa sensibilidade relacionada à visão global da empresa e ao papel de cada colaborador para a satisfação de clientes e mercados;
  6. Pouca disposição para assumir desafios;
  7. Pouco entendimento sobre as conseqüências da geração de riquezas para a sociedade como um todo;
  8. Baixo nível de internalização individual sobre o significado do trabalho.

Isso tudo, sem falar na deficiência da comunicação e no que isso gera para os relacionamentos humanos, ainda agravado pelo desconhecimento da responsabilidade de cada pessoa sobre o tamanho do seu próprio ego. Impactos nos resultados? Com certeza sim!

Avaliando a potencialidade da empresa e seu status quo, através do mapeamento dos tais custos invisíveis, é possível decidir sobre investimentos que garantam o desenvolvimento organizacional, a motivação, a eficácia e primordialmente a educação: educação para o negócio, educação para os relacionamentos, educação para a educação de todos, contínua e sustentável. E essa é a bandeira mestra da gestão do conhecimento.

Potencializando a performance empresarial a partir do mapeamento das competências e da transformação de conhecimentos tácitos em explícitos, e ainda criando outros, o fórum da gestão do conhecimento vem criando espaços consideráveis dentro das organizações.

Apostar nos talentos existentes, motivando para a realização daquilo que supera e transcende o dia a dia dos processos, relacionamentos e resultados, é um dos objetivos da gestão do conhecimento, que vem preenchendo nas empresas os vácuos deixados pelos rastros da ineficiência, da baixa criatividade e da pouca inovação.