Por uma Abordagem Estratégica dos
Preços*
por Carlos
Felipe G. Lodi
11/11/1998
Até os anos 70, as empresas utilizavam uma regra bastante simples para definirem os preços dos seus produtos: levantavam - ou estimavam - os custos e adicionavam uma margem de lucro desejada ("mark-up"). Eram os tempos do chamado "marketing de massa", quando os consumidores aceitavam praticamente tudo o que lhes era oferecido.
Na década seguinte, surgiram o "marketing de segmentos" e o "marketing de nichos", que buscavam tirar proveito das diferenças que determinados grupos de consumidores tinham entre si. Neste novo contexto, a regra de determinação dos preços passava a considerar o quanto cada segmento estava disposto a pagar por produtos diferenciados e, supostamente, mais atrativos.
A intensa competição que se estabeleceu, em escala global, a partir dos anos 90, passou a exigir que as empresas, cada vez mais, se preocupassem com as ações de seus concorrentes e muitas delas começaram a empreender um grande esforço, através da inteligência competitiva, para avaliar e descobrir por qual preço seus concorrentes seriam capazes de fazer ofertas semelhantes aos consumidores.
Hoje em dia, é rara a empresa que, na hora de tomar suas decisões de preços, não reconhece estes três direcionadores: custos, consumidores e concorrentes ("3 C's"). No entanto, o preço ainda é visto como uma solução de curto prazo para os seus problemas; ou seja, a tomada de decisão de preços é um processo reativo que procura dar resposta a questões como:
Qual preço é necessário para cobrir os custos e gerar o lucro almejado para um determinado volume de vendas?
Qual preço os clientes estão dispostos a pagar?
Qual preço permite alcançar (ou manter) a participação de mercado desejada?
A essa abordagem tática, se opõe uma outra, estratégica e proativa, que encara a política de preços como meio de a empresa garantir sua lucratividade a mais longo prazo. As decisões estratégicas de preços passam pela análise das seguintes questões:
Que variações no volume das vendas são necessárias para que alterações nos preços sejam mais lucrativas, dada a estrutura de custos que a empresa pode suportar?
Que ações são necessárias para convencer os consumidores de que os preços justificam o valor criado para eles pelos produtos (ou serviços) ofertados?
Qual participação de mercado pode ser atingida de forma mais lucrativa e que armas podem ser utilizadas para que a empresa concorra mais eficazmente no mercado?
A abordagem estratégica sugere uma mudança na forma pela qual as empresas tomam suas decisões de preços, substituindo uma tarefa rotineira, destinada a resolver problemas funcionais (vendas, finanças, operações) - e potencialmente geradora de conflitos dentro da organização- por uma gestão criativa, orientada para a lucratividade corporativa.
* Este artigo foi baseado na exposição do Dr. Thomas Nagle durante o seminário "Estratégias e Táticas de Precificação", realizado em São Paulo nos dias 5 e 6 de novembro de 1998. Nagle é diretor administrativo do Strategic Pricing Group e docente do Centro de Educação Continuada da Universidade de Chicago.