Gerenciamento holístico do risco
por Robert
Schneier, Jerry Miccolis
HSM Management
setembro-outubro/1998
| Essa estratégia
não-convencional envolve a avaliação e a conformação
do risco em todo o negócio Os altos executivos vêm andando cada vez mais na corda bamba. Os investidores pagam um prêmio para a empresa que melhor souber lidar com o risco, mas correr esse risco pode fazê-la cair de joelhos, porque ele só faz crescer com o mercado globalizado, que trouxe mais complexidade e aumentou as chances de as coisas darem errado. Como equilibrar-se? A maioria das empresas recorre ao financiamento do risco -fazendo provisões contra possíveis perdas, seguros contra desastres, hedging de moedas etc. Mas esse tipo de estratégia tem três grandes defeitos: é passiva (pois trata de consequências e não de causas), coloca o foco sobre alguns riscos específicos (e não sobre todos os riscos potenciais) e não causa impacto no mercado. Os autores deste artigo afirmam, com base na experiência de quatro empresas mantidas no anonimato, que é preciso adotar uma estratégia diferente para cuidar do risco com eficácia: gerenciá-lo de forma holística. Para isso, eles propõem aqui uma abordagem chamada de Enterprise Risk Management (ERM), ou Gerenciamento do Risco do Empreendimento, que leva em conta os fatores de risco e os programas de atenuação em relação ao negócio como um todo, interna e externamente. Eles explicam passo a passo como adotar essa estratégia, descrevendo suas duas fases: a de avaliação e a de conformação do risco. Vale a pena ler com atenção, pois, afinal, sem risco não há recompensa. |
Quase todos os dias os jornais
descrevem as sérias conseqüências de frustrar as expectativas
dos investidores, como uma empresa, que viu suas ações caírem
mesmo tendo um grande aumento de lucros. Somem a isso as
exigências de regulamentação e controle e fica evidente por
que o risco é tão importante para os altos executivos
das empresas. Afinal, é a eles que cabe gerenciar os riscos do
negócio, e o não-cumprimento desse preceito é uma quebra da
responsabilidade confiada.
Mesmo que os lucros e os preços,
das ações sejam saudáveis, a obtenção de resultados
atualmente é bem mais arriscada que no passado. O motivo
é que a maioria dos negócios se globalizou. Esse âmbito
expandido traz maiores oportunidades, mas também maior
complexidade. O aumento da complexidade por sua vez, traz um
potencial maior de as coisas darem errado.
| A gestão do risco e as ações |
A maioria das decisões envolve uma
escolha entre algum tipo de risco e a recompensa a ele associada.
Cria-se valor para o acionista quando a recompensa excede o custo
do risco. O custo do capital é uma taxa genérica que reflete o
risco de determinada classe de investimento. Se a recompensa
(ROI- Retorno sobre o Investimento) for maior do que essa taxa, o
investimento vale proporcionalmente mais.
Embora os investidores sejam
indiferentes às ferramentas ou aos modelos que as empresas
utilizam, eles pagarão um prêmio para a companhia que melhor
souber lidar com o risco. Tal prêmio depende do desempenho,
porém entre 20% e 30% do prêmio acima do valor contábil é
atribuível a quão bem a companhia gerência o risco.
Algumas companhias parecem
compreender melhor o risco do que outras. Na verdade, elas não
tomam atitudes mais ousadas; apenas sabem o que podem ou não
suportar. Tais empresas não são invencíveis e sofrem nas mãos
do mercado de ações quando não atendem às expectativas dos
investidores. Elas, no entanto, fracassam com menor frequência.
| Tipos de riscos e gerenciamento |
"Risco" é a possibilidade
de alguma coisa dar errado. "Fatores de risco" são as
condições que dão origem a essa possibilidade. O risco é um
resultado não algo que se possa gerenciar ou controlar
diretamente. Os fatores de risco, como causas, sim. Ao gerenciar
o risco, a maioria das empresas presta atenção ao resultado e
não à causa. E erra.
A abordagem-padrão é concentrar-se
no financiamento do risco, provisionando recursos para atenuar a
variabilidade de receita de riscos não controlados. A idéia
básica é que algum risco financeiro tem possibilidade razoável
de ocorrer. Como não se pode fazer nada para impedi-lo, os
executivos deveriam separar uma quantia para pagar os danos.
Há problemas nessa abordagem.
Primeiro, ela não é "pró-ativa", como se diz no
jargão administrativo. Segundo, é incompleta e tende a
compartimentar a atenção da gerência: com freqüência, o
conjunto de riscos para os quais existe financiamento (hedging
de moeda, seguro contra desastres) determina os tipos aos quais a
empresa presta atenção e tenta gerenciar. Entretanto, a empresa
enfrenta riscos que vão além de, digamos, terremotos ou
mudanças no preço do petróleo. Há companhias cujos preços de
ações despencam em decorrência de prática de discriminação
racial ou sexual, sistemas de computação falhos ou conduta
irregular de funcionários.
Acrescente-se a esses dois problemas
um terceiro. A abordagem de financiamento para o gerenciamento de
risco não é muito eficaz. Pesquisas mostram, por exemplo, que o
mercado de ações é indiferente ao financiamento de risco -
isto é, se acontecer um desastre, as reações do mercado se
basearão na maneira como a gerência lida com a crise, e não
como ou até onde o risco está financiado. Gasta-se muito
dinheiro em seguros que não ajudam a proteger os investimentos
dos acionistas.
| A abordagem holística |
Diante disso, um novo conceito chega
ao universo dos executivos financeiros: o gerenciamento
holístico do risco. Coisas da Nova Era? Não. As técnicas do
gerenciamento holístico do risco têm sido uma ferramenta
gerencial poderosa para várias empresas, quando aplicadas
corretamente. Nós as chamamos de "Enterprise Risk Management"
(ou ERM, que significa Gerenciamento do Risco do Empreendimento),
porque abordam os principais riscos da companhia em um
determinado nível do empreendimento. A prática do ERM varia,
pois cada empresa é singular do ponto de vista de riscos, mas
há algumas características comuns.
O ERM é uma abordagem sistemática
segundo a qual os fatores de risco e os programas de atenuação
são considerados em relação ao negócio como um todo, interna
e externamente. Admite, assim, que os acionistas são
indiferentes à compartimentação arbitrária do risco. Admite
também que os fatores de risco possuem efeitos múltiplos e,
para terem algum valor, os programas de atenuação devem
considerar todos esses efeitos.
O ERM é "pró-ativo". A
primeira linha de defesa contra o risco é
"conformá-lo", que significa controlá-lo por meio do
comportamento organizacional. Os controles comportamentais são
balanceados com os controles sistemáticos - políticas,
procedimentos e similares. Os gerentes precisam recorrer ao
financiamento apenas se essa "conformação" não puder
conter o risco. Mesmo nesse caso, o financiamento deve ser feito
na forma de uma carteira abrangente - não compartimentada- para
aproveitar as "proteções naturais" que existem entre
alguns fatores de risco e a interdependência de muitos deles.
Quando corretamente implantado, o
ERM exige trabalho árduo e comprometimento da alta gerência.
Entretanto, para companhias que praticam o ERM com eficácia, as
recompensas podem ser liderança de mercado, crescimento
contínuo, elevação nos preços das ações e confiança dos
investidores.
| A experiência de duas empresas |
Tome-se o exemplo da Ajax (nome
fictício, por motivo de sigilo), empresa de artigos de luxo
considerada como das mais bem-sucedidas no mundo. Seus lucros,
seu crescimento e sua participação de mercado são invejáveis.
Suas ações são negociadas nos valores mais altos entre suas
similares. A Ajax possui um programa de ERM eficaz em
funcionamento, sob a direção de um comitê diretor formado pela
alta gerência.
O comitê realiza uma revisão
abrangente de risco de cada um de seus negócios, concentrando-se
na estrutura total, nas capacidades da organização e no
ambiente operacional. A partir dessa revisão, identifica os
riscos dos objetivos dos negócios, determina os fatores
subjacentes, prioriza-os e empreende as iniciativas necessárias.
Para ajudar na atribuição de
prioridades, o comitê define o limiar quantitativo de risco da
companhia como um todo e de cada unidade de negócios. O quadro
da abaixo apresenta uma lista dos fatores de risco de alta
prioridade da Ajax (e não são exclusivos).
Uma maneira de verificar se o ERM
está sendo implantado com eficácia é determinar se os fatores
de risco da empresa se parecem com os de suas concorrentes. Em
caso positivo - ou se eles não mudarem à medida que a
organização e seu ambiente operacional mudarem-, é provável
que esses riscos estejam definidos de forma muito genérica.
Feito isso, o comitê ajuda cada
negócio a desenvolver um plano de ação. O tipo de iniciativa
requerido depende da natureza do risco e é direcionado pela
matriz mostrada no final do artigo. Os riscos gerenciáveis são
os que não exigem investimento significativo e podem ser
abordados na condução normal dos negócios. Os riscos
estratégicos, por outro lado, talvez exijam um investimento
razoável de capital ou mudança de rumo.
Os fatores de risco que ficarem
abaixo do limiar de "alta prioridade" são monitorados,
mas não se toma nenhuma iniciativa a menos que sua situação
mude. A companhia tem uma cultura robusta em relação a riscos,
que geralmente corrigirá a maioria desses problemas sem
necessidade de a administração agir.
Esse princípio é demonstrado pela
empresa de produtos de consumo Acme (outro nome fictício). Logo
depois de constatar um defeito de fabricação, a Acme conseguiu
recolher e substituir todos os produtos defeituosos das
prateleiras do mundo inteiro sem que os consumidores, os
distribuidores e a imprensa notassem.
Como isso foi feito de forma tão
eficaz? Os executivos da Acme garantem que agiram
instintivamente. A companhia não tem manual, listas de controle
ou memorandos da alta gerência que ditem os procedimentos. Não
há necessidade disso, porque a companhia tem uma cultura robusta
em relação a riscos, que advém da forte convergência da
companhia em relação à meta.
Todos, por intuição, entendem os
objetivos da companhia e trabalham em direção a eles. O
histórico de desastres, grandes e pequenos, mostra que os
problemas ocorrem quando o controle cultural não funciona, e
não quando os controles de sistema não funcionam.
É preciso, contudo, haver
equilíbrio entre cultura forte e sistemas de controle. Se os
controles forem fracos demais, o gerenciamento cultural do risco
pode ser levado até o ponto de ruptura. Por analogia, sem a
convergência de uma cultura forte em relação à meta, os
sistemas de controle são simplesmente tirânicos e ineficazes.
Se a gerência criar cada vez mais controles, a companhia pode
ficar à deriva em termos de estratégia.
| Uma maneira de verificar se o ERM está sendo implantado com eficácia é determinar se os fatores de risco da empresa se parecem com os de suas concorrentes, Em caso positivo, é provável que esses riscos estejam definidos de forma muito genérica |
| Fatores de risco de alta prioridade na AJAX |
| Fatores "gerenciáveis" e "típicos do negócio": |
| · Um único
defeito de produto poderia destruir uma marca inteira. · Forçar demais a P&D para qualidade e competitividade esgota os recursos de P&D. · Publicidade adversa pode afetar múltiplas marcas. · Práticas de sistemas inconsistentes aumentam a possibilidade de erro; sistemas diferentes não se comunicam com eficácia. · Despreparo para desastres no sistema. · Perda de pessoal importante; a organização pode não ser flexível. · A gerência de segundo escalão pode não estar pronta para assumir a responsabilidade da alta gerência. |
| Fatores "estratégicos" e "de "adaptação": |
| . Talvez seja
difícil continuar a obter altas somas nos lançamentos
de novos produtos. . Infra-estrutura continuamente exigida; será difícil manter a cultura e os valores com as mudanças. . O planejamento, o processamento e a comunicação informais permitem surpresas. · Como companhia aberta temos de atender às expectativas dos outros em vez de fazer o que é certo. · Os concorrentes têm mais flexibilidade porque o negócio deles é mais amplo. · A separação das divisões nacional e internacional pode causar ineficiência e imagem fraca. · A gerência das companhias adquiridas está abaixo dos padrões. |
| Quantificação dos riscos e limiares |
A quantificação dos fatores e dos
limiares de risco é uma parte desencorajadora porém necessária
do ERM. Há vários modelos e metodologias, alguns mais
acessíveis, outros mais complexos. Com um pouco de criatividade,
os gerentes conseguem quantificar os fatores de risco de forma
rápida e fácil.
A abordagem feita por uma reputada
siderúrgica (a fictícia AAA) é ilustrativa. Ao dedicar
atenção especial aos relatórios-padrão de contabilidade
gerencial, a AAA conseguiu construir uma simulação econômica
da operação de sua siderúrgica. Para a quantificação, o
grupo da alta administração da AAA identificou os fatores de
risco incorporando pesquisa de mercado, previsões econométricas
e tino comercial. O departamento de RH também forneceu insumos
quanto a fatores de risco relacionados à organização e ao
pessoal, e os gerentes determinaram as interações entre os
fatores utilizando medidas qualitativas O resultado da
simulação foi colocado num modelo financeiro pró-forma que
gerou, entre outros resultados, as mudanças esperadas de valor
para o acionista em cada cenário de risco.
Para monitorar as mudanças em
relação a exposição ao risco, o grupo gerencial
periodicamente revisa os fatores de risco e executa novas
simulações. Esse processo é um pouco desajeitado, mas
funciona. A AAA superou quedas de mercado e evitou alguns
problemas trabalhistas potencialmente graves.
Como no caso da Ajax e da Acme, o
programa de ERM da AAA ajuda companhia a administrar os riscos de
forma sistemática e cultural. A situação ajuda a companhia a
implantar controles que minimizem a exposição ao risco. O
compromisso da alta gerência com o ERM aumenta a
conscientização dos funcionários sobre os fatores de risco - o
que por si só, já é uma medida preventiva. Isso também ajuda
a incorporar comportamentos de gerenciamento de riscos à
organização. Em algumas companhias, o ERM não é tanto um
esforço consciente, mas sim uma parte já arraigada da cultura.
| A Acme conseguiu substituir todos os produtos defeituosos das prateleiras do mundo inteiro sem que os consumidores e a imprensa notassem, graças à sua cultura de gerenciar riscos. |
| O papel do financiamento do risco |
Mesmo nas companhias mais bem
administradas, nem todos os riscos podem ser descartados ou
contidos por completo. Os riscos que sobrarem precisam ser
financiados. Há novos produtos no mercado, híbridos de seguro e
hedging, que permitem às empresas comprar proteção da
demonstração de resultados contra combinações específicas de
riscos de acidentes (como danos à propriedade e responsabilidade
civil) e riscos financeiros (como taxa de juros, crédito,
câmbio) em um único pacote.
A empresa varejista ABC - nome
também fictício - deu vários passos adiante. Ela criou um
modelo probabilístico para cada risco de alta prioridade. Alguns
desses modelos foram adaptados de outros, criados por
fornecedores - por exemplo, um modelo de terremoto gerado pela
corretora de seguros da ABC e um modelo de risco de mercado
gerado pelo banco da empresa. Com esses modelos, a companhia
analisou a relação entre os riscos (a covariância, uma medida
estatística) e embutiu essas informações num modelo
estocástico global de seu perfil de ERM.
Com isso, a ABC conseguiu avaliar
vários programas alternativos de financiamento do ponto de vista
de sua capacidade de contrabalançar riscos e recompensas. Foi
atribuído a cada programa um "valor de recompensa" e
um "valor de risco" - o primeiro, baseado no custo, e o
segundo, baseado na capacidade de amortecer o impacto volátil
dos riscos combinados sobre o demonstrativo de lucros. Utilizando
técnicas da teoria moderna de portfólio, a empresa pôde
desenhar a "fronteira eficiente".
Esse demonstrativo permitiu à alta
gerência tomar decisões abalizadas quanto ao tipo de programa
de financiamento de riscos para ser considerado. O departamento
financeiro então abordou diretamente os mercados de resseguros e
de capitais para implantar seu programa preferido segundo seus
próprios termos.
| ERM, um guia "faça-você-mesmo" |
A adoção de práticas de ERM exige
comprometimento e um nível razoável de esforço em duas fases
principais:
Fase I: Avaliação do risco. O objetivo da avaliação é identificar,
priorizar e agregar todos os riscos com que a companhia depara.
1 Revisão da
infra-estrutura. A
empresa começa por uma revisão sistemática da infra-estrura,
dos processos decisórios e dos sistemas. Identifica as
preocupações da gerência por entrevistas ou focus groups e
verifica-as a partir de dados xternos. Procura um acordo quanto a
um meio objetivo de medir o desempenho.
2 Avaliação qualitativa
do limiar do risco. (O
risco, não se pode esquecer, é tanto subjetivo quanto
objetivo.)
3 Definição preliminar do risco. A empresa
reduz e sintetiza os dados de desempenho e do limiar do risco em
um conjunto preliminar de riscos, que deve ser validado e
classificado.
4 Quantificação
preliminar. Em geral, é
aconselhável que a empresa use um modelo do tipo "criação
de valor para o acionista" para testar as sensibilidades e
identificar fatores de risco. Então, a empresa deve checar os
resultados, cruzando-os com um ou vários métodos subjetivos de
avaliação. Se tiverem sido identificados fatores de risco
prospectivos, ela precisa determinar o meio mais apropriado de
aferição.
5 Priorização do risco. Aqui se priorizam fatores de risco com
base na probabilidade de acontecerem, no valor presente de suas
conseqüências e na qualidade dos controles já em
funcionamento. A empresa identifica as interações entre os
fatores de risco de alta prioridade e suas conseqüências e
agrega esses fatores com base em conseqüências comuns. Entre as
áreas nas quais vale a pena se concentrar estão comportamento e
atitudes da organização, capitais empregados no negócio (de
mercado, infra-estrutura, humano, financeiro) e principais
indicadores de desempenho da companhia.
6 Delineamento de
estratégia. A essa
altura já deve haver uma lista abrangente dos fatores de risco
de alta prioridade e compreensão de suas conseqüências. Se
houver acordo quanto às prioridades, a empresa delineia as
estratégias gerais para atenuação.
As companhias ficam espantadas com a
lista de fatores de risco de alta prioridade gerada na fase de
avaliação. Esses fatores muitas vezes diferem daqueles nos
quais os gerentes tradicionalmente concentram sua atenção.
Fase 2: Conformação do risco. Antes de os gerentes estarem prontos para
delinear os programas de conformação, eles precisam de uma
medida mais sólida dos fatores de risco. Precisam também de uma
boa compreensão de como funciona a organização e como mudar os
comportamentos.
1 Modelagem. São necessários três tipos de
modelagem para medir o impacto individual e coletivo dos fatores
de risco. É preciso modelar os determinantes de cada fator de
risco, o impacto operacional e financeiro de cada um e, por fim,
o preço da ação e o value at risk. A parte mais
difícil é medir a covariância entre os fatores de risco, mas
pode-se fazê-lo separadamente ou estimá-lo subjetivamente.
A empresa prevê fatores de risco
usando modelos estocásticos, análise de cenários ou Delphi. Em
alguns casos, é possível comprar previsões ou usar
avaliações qualitativas. Os modelos operacionais devem ser
baseados em um acúmulo de cristas ao longo da cadeia de valor da
companhia. Deve-se estar certo de que as mudanças nos requisitos
de recursos sejam identificadas. Os modelos pró-forma precisam
estar vinculados a algum modelo de valor econômico, permitindo
testar a elasticidade de cada risco em relação ao preço da
ação.
Por fim, quantifica-se o value at
risk dos capitais empregados no negócio (financeiro, de
mercado, de infra-estrutura e humano).
2 Quantificação do
risco. A empresa descobre
as interdependências entre os fatores de risco e avalia o
impacto de cada cenário na organização como um todo. O grupo
gerencial deve revisar isso e chegar a um consenso sobre o que
acredita ser o cenário mais provável. A empresa calcula então
a exposição geral a riscos ao mesmo tempo que se cruza a
razoabilidade dos dados com as avaliações qualitativas feitas
na fase de avaliação.
3 Mudança
organizacional. Agora
começa a parte difícil. Dentro do cenário que se determinou
como mais provável, talvez seja preciso projetar programas para
mudar o comportamento. Em alguns casos, pode-se atenuar os
fatores de risco ao fazer mudanças operacionais bem diretas. Em
outros casos, é preciso desenvolver estratégias para reformular
o comportamento dos funcionários, as capacidades da
organização e a cultura.
4 Financiamento do risco. Aqui, a empresa deve determinar se os
programas escolhidos atenuarão suficientemente os riscos da
companhia. Em caso negativo, é preciso projetar um programa para
financiar parte do risco - ou ignorá-lo. Como outros aspectos do
ERM, o financiamento de risco deve ser visto de forma holística.
Primeiro, a empresa determina a exposição (relativa ao limiar
de risco) após a aplicação dos programas de atenuação. Em
seguida, identifica as interdependências de exposição e os
melhores instrumentos de financiamento. Finalmente, define a
melhor fonte desses instrumentos.
Uma vez que os gerentes tiverem
desenvolvido e implantado com sucesso a estratégia de
conformação do risco, eles precisarão realizar revisões
periódicas dos fatores de risco da companhia e sintonizar os
programas de atenuação. Entretanto, é improvável que seja
preciso repetir as fases de Avaliação e Conformação de Risco
na totalidade.
À medida que os programas de
atenuação começarem a funcionar, a companhia será mais
bem-sucedida ao lidar com riscos e autoconfiante. Depois de um
tempo, o gerenciamento de riscos se enraizará na cultura da
organização, com a conseqüente melhora de desempenho.
| Nem todos os riscos podem ser contidos por completo. Os que sobrarem precisam ser financiados. Para isso há novos produtos no mercado, híbridos de seguro e hedging |
| Matriz de classificação de riscos de alta prioridade |
| Futuro conhecido | Futuro desconhecido | |
| Empresa mal-equipada | Fatores de risco gerenciáveis | Fatores de risco estratégicos |
| . Houve sorte antes? . Aprender com o passado. . Agregar capacitações |
. Aprender com os outros . Capital e/ou estratégia novos . Importar capacitações |
|
| Empresa
bem-equipada |
Fatores de risco de "fazer negócio como sempre" | Fatores de risco de adaptação |
| . A experiência é válida . Resposta da gerência |
. A experiência pode não
ajudar . Resposta do sistema/da infra-estrutura |
| Robert Schneier - é consultor
de estratégia da firma Towers Perrin em Dallas, Texas,
EUA. Jerry Miccolis é consultor de gerenciamento de riscos e da área atuarial da Tillinghast-Towers Perrin em Parsippany, Nova Jersey, EUA. |