As 12 regras para sobreviver ao estresse da mudança

Renilda Almeida Marques de Oliveira

Erros e acertos são o que mais têm acontecido no mundo das empresas que passaram e passam por mudanças. Acreditando que as mudanças organizacionais só ocorrem se as pessoas mudarem a maneira de encarar as situações e, consequentemente, mudarem suas atitudes, reafirma-se neste texto a crença de que as primeiras mudanças, e as únicas, que são capazes de gerar resultados diferentes (se você faz as mesmas coisas sempre obterá sempre os mesmos resultados) vêm de dentro das pessoas; o restante é muito fácil de se fazer. Aqui registramos os erros mais comuns observados em ambientes empresariais em transformação, e indicamos algumas regras que podem ser aplicadas às situações mais comuns, quando o estresse da mudança parece que nunca irá acabar.

Erro número1:
tente controlar o incontrolável.

Regra para sobrevivência: pergunte o tempo todo se os esforços para controle fazem sentido. Você está em posição de controlar a situação ou, ao tentar fazê-lo, ficará emocionalmente cansado? Algumas vezes, as mudanças as quais reagimos vêm a nós exatamente para nos ensinar a aceitar o que não podemos mudar. Não vale a pena colocar energia naquilo que não podemos mudar!

Erro número 2:
espere que os outros reduzam o seu estresse.

Regra para sobrevivência: não conte com ninguém para aliviar seu estresse. Coloque-se numa posição de administrador da sua própria tensão. Há uma boa chance de você ser o único, na sua situação de trabalho, que poderá fazer algo para tornar mais leve sua carga psicológica e, consequentemente, minimizar sua resistência.

Erro número 3:
decida não mudar ou faça
de conta que nada está acontecendo.

Regra para sobrevivência: a organização está mudando para sobreviver e prosperar. Ao invés de bater sua cabeça contra a parede da dura realidade (e isso chegar a atingir a sua alma), invista sua energia em rápidos ajustes. Mova-se quando a organização mudar. Pratique alinhamentos instantâneos. Sua própria decisão pode fazer mais para determinar seu nível de estresse do que qualquer outra coisa dentro da organização.

Erro número 4:
aja como uma vítima.

Regra para sobrevivência: aceite o fato consumado e continue andando; não estacione. Não ceda ao sedutor impulso de sentir pena de si próprio, ao menos por longo perído de tempo. Agir como vítima ameaça o seu futuro. Use o melhor de você para não valorizar frustrações e parecer improdutivo diante da situação. Mantenha-se orgulhoso de você mesmo, junte as peças e planeje-se para o futuro. É hora de realinhar seus propósitos e rearrumar sua visão para o futuro.

Erro número 5:
tente jogar um novo jogo com velhas regras.

Regra para sobrevivência: estude a situação atentamente: Faça uma imagem de como o jogo mudou, visualize o tabuleiro, e todas as suas peças. Reavalie as prioridades e perceba como estas serão reordenadas. Decida quais aspectos de seu trabalho você deverá focalizar para elevar sua efetividade ao máximo.

Erro número 6:
projete um baixo grau de
estresse no trabalho durante a mudança.

Regra para sobrevivência: não caia na armadillha de crer que há alguém querendo "aprontar" para você. É o próprio processo que é desgastante. Esteja ciente de que é preciso muita paciência e aceitação. Esse é o primeiro passo para garantir que o nível de estresse poderá ser alto, mas seguramente administrável. Esteja atento para não comprometer o seu organismo (são vários os sintomas orgânicos do estresse).

Erro número 7:
escolha seu próprio ritmo de mudança.

Regra para sobrevivência: mantenha-se afinado com o tamanho da mudança pretendida. Conduza-se de forma a acompanhar as pessoas encarregadas da mudança, ao invés de permitir a você próprio agir conforme você quer, sente-se ou necessita. Lembre-se: esse é um momento provisório. Não retardar a mudança gera uma chance da bonança vir junto e ainda lhe dá uma chance para você mesmo pôr as rédeas na mudança.

Erro número 8:
tenha a expectativa de que,
num curto prazo, o bônus
da mudança superarà as perdas.

Regra para sobrevivência: lembre-se de que para cada mudança consumada há uma curva de aprendizado. O tempo pode ser um grande amigo ou inimigo; cabe a você decidir como trabalhar na transição. Seja amigo daqueles que desejam compartilhar suas inseguranças, crie espaço seguro para ouvir. Procure compartilhar seus sonhos, seja para que prazo for.

"Coloque-se numa posição de administrador da sua própria tensão. Há uma boa chance de você ser o único, na sua situação de trabalho, que poderá fazer algo para tornar mais leve sua carga psicológica e, consequentemente, minimizar sua resistência"

Erro número 9:
faça parcerias com aqueles que
não aprovam a mudança e você estará seguro.

Regra para sobrevivência: esqueça as alianças do contra. Mais cedo ou mais tarde as mudanças ocorrerão e nada melhor do que não ter feito força contrária. Procure dialogar com aqueles que se aproximam na tentativa de formar uma grande barreira. Tente aliviá-los e dê-lhes espaço para desabafar. Lembre-se sempre de que a atração é uma resultante da troca de energia e você é responsável pelo campo energético que cria ao redor de si.

Erro número 10:
faça de conta que você concorda com tudo e por
trás dos panos mostre-se como o "do contra".

Regra para sobrevivência: se você discorda de alguns aspectos (ou até de todos), procure discutir o assunto com as pessoas que estão gerenciando a mudança. Pense em iniciar o processo de criação de um campo magnético favorável à aceitação das mudanças e você se sentirá muito menos ansioso.

Erro número 11:
seja o arauto da mensagem de que
as mudanças trarão o pior.

Regra para sobrevivência: não é a mudança que causa danos, é a resistência a ela. Pense nisso, reflita sobre todas as mudanças que você já vivenciou e tire suas próprias conclusões. Enquanto você quiser ter todo o controle da situação dentro das sua referências e exclusivamente com elas, você corre o risco de ficar com um tremendo estresse, principalmente quando perceber que está falando sozinho!

Erro número 12:
siga à risca essas dez regras para sobrevivência.

Regra para sobrevivência: não pense que se você seguir essas regras estará pronto para enfrentar os processos de mudança; isso não acontecerá. Não pense que quem escreveu isso o fez de um único fôlego, isso não é verdade. Isso é produto do professor número 1, isto é: os erros. E ainda bem. Se descobrirmos a fórmula de lidarmos com as mudanças, tão certas em nossas vidas, perderemos algumas das razões de viver: a aventura, a descoberta, o inusitado, a inovação, as surpresas, mesmo com todas as outras conseqüências que algumas mudanças por certo trazem (nem sempre muito boas). Mas certamente não estaremos fazendo das nossas vidas organizacionais um tédio!