Por isso mesmo, a
Shell utiliza tal recurso em todos os níveis, embora tenha grande importância
para os gestores.
“Quem não tem a
responsabilidade de comandar uma equipe não recebe um questionário com os mesmos
itens
de avaliação”,
frisa Franken.
Renilda alega que as
organizações ainda são hierarquizadas e o poder está bastante concentrado.
Para ela, com
isso, a implantação do sistema 360 Graus inicia-se por aí. “O grande valor dessa
decisão pode
também estar
concentrada na questão ‘apóie o líder naquilo que ele precisa aprender, não o
deixe vivenciar a
solidão que é,
por vezes, inerente à função’. Se colocarmos essa premissa, teremos um grande
começo para as
mudanças que a
avaliação poderá gerar”, assegura.
A especialista
frisa, no entanto, que há de se considerar que muitas vezes crises de egos
impedem o diálogo
aberto entre os
subordinados e seus chefes e a equipe acaba atribuindo a estes toda a
responsabilidade pela
deterioração do
ambiente. “O líder precisa tanto de ajuda quanto qualquer outro colaborador; a
organização sairá
ganhando, assim
como todos”, acrescenta.
Dorival, por sua
vez, discorda quando ao foco da aplicação do sistema, para ele especificamente
dirigido aos
líderes. “Minha
experiência foi sempre com cargos em níveis de chefia, pois têm metas mais
claras a atingir e
competências a
desenvolver. Nos patamares administrativos ou mesmo operacionais aplicam-se
outros tipos de
avaliação”,
argumenta. Ele diz que, além disso, os níveis executivos respondem por
competências ligadas à
sobrevivência do
negócio, suas estratégicas, e por isso o foco é voltado para eles.
Objetivo não é
demitir
O resultado da
avaliação ajuda a detectar defeitos e virtudes e torna mais fácil a tentativa de
corrigi-los, de
aprimorar o
profissional encaminhando-o a um treinamento específico, por exemplo. E não é
só. “A ferramenta é
uma forma de
saber quais as competências que precisam ser mais bem desenvolvidas, não só do
indivíduo, mas
de forma geral.
Isso nos dá a idéia do que precisamos focar e colabora na melhora do ambiente de
trabalho por
meio de troca de
informações e contribuição ao desenvolvimento de outras pessoas”, resume Karina
Franken,
responsável pelo
setor de RH da Shell. A Avaliação 360 Graus é um poderoso instrumento para
desenvolvimento
de pessoas, na
visão de Dorival Machado.
Ele destaca que o
processo de implantação prevê: identificar competências, descrevê-las, definir
indicadores de
desempenho,
avaliá-los, dar feedback sobre o desempenho, preparar ou ajudar a preparar
planos de
desenvolvimento
individual, propor e ou conduzir planos de crescimento corporativo, monitorar o
processo.
“Existem vários
subprodutos: necessidades de treinamento, coaching, counselling, detectar
potenciais talentos,
auxiliar em
planos de carreira, informações para promoções, demissão. Mas, o objetivo maior,
e é por ele que
insistimos, é
desenvolver pessoas, não é dar aumento salarial, muito menos promover ou até
demitir”, afirma.
O consultor e
palestrante acrescenta que o uso da técnica com esse objetivo “mata” o
instrumento. “Há empresas
que nos pedem
propostas visando na realidade demitir e precisam de justificativas. Quando isso
acontece nem
apresentamos um
projeto”.
Na interpretação
de Karina Franken, a técnica pode levantar assuntos mais graves, erros de
procedimentos, mas
não deve ser o
caminho para a punição: “Nossa orientação é, no momento em que isso acontecer, o
RH intervir e